Empresa chinesa UNIPRIME envolvida em projectos estratégicos levanta suspeitas de desvio de fundos em Angola
A actuação da empresa chinesa Uniprime Technology Limited, sediada em Hong Kong, em vários projectos estratégicos do Estado angolano está a levantar sérias suspeitas de má governação, favorecimento indevido, ausência de concursos públicos e riscos graves para a segurança dos dados pessoais de milhões de cidadãos.
REDAÇÃO FD
Informações recolhidas pelo Imparcial Press, sustentadas por documentos internos e testemunhos de fontes ligadas aos sectores visados, indicam que a Uniprime terá entrado em Angola de forma discreta, mas rapidamente passou a controlar áreas sensiveis como o Bilhete de ldentidade, registo criminal, sistema fiscal, segurança social e bases de dados eleitorais, em articulação com vários ministérios, entre os quais o da Justiça e dos Direitos Humanos, das alimentam a percepção de impunidade no uso do erário público.
Analistas alertam que a continuidade deste modelo de contratação opaca, em sectores vitais para o funcionamento do Estado, compromete não apenas a confiança dos cidadãos, mas também os esforços de reforma administrativa, combate à corrupção e modernização dos serviços públicos.
Para muitos observadores, o caso da Uniprime é mais um exemplo de como projectos de milhares de milhões continuam a beneficiar interesses externos e redes internas de poder, enquanto a população permanece sem acesso efectivoa serviços básicos como a identificação civil, a segurança social funcionale um sistema fiscal íntegro.
As suspeitas estendem-se igualmente à área eleitoral, ondea empresa terá acesso a bases de dados sensíveis no âmbito do Projecto de Informação aos Eleitores, bem como ao sistema da segurança social, através de empresas associadas ao INSS.
Para especialistas em governação e segurança digital, a concentração de informação crítica do Estado angolano nas mäos de uma única empresa estrangeira representa um risco sério para a soberania nacional, sobretudo num contexto de fraca fiscalização e inexistência de auditorias públicas regulares.
Fontes ouvidas pelo Imparcial Press falam ainda de nepotismo, conflitos de interesse e ligações familiares entre decisores públicos e gestores de empresas envolvidas nos contratos, práticas que fragilizam a credibilidade das instituições e decepcionantes.
Pois, Angola continua com uma fraca taxa de cobertura de identificação civil, apesar dos montantes avultados já desembolsados. No sector fiscal, a presença da Uniprime na Administração Geral Tributária (AGT) surge associada a um contrato de “consultoria e gestão de sistemas” cuja existência é referida apenas em plataformas institucionais da própria empresa, sem informação pública sobre valores, prazos ou critérios de adjudicação.
Esta situação ganha contornos ainda mais graves após o escândalo do conhecido “Caso AGT”, que envolveu milhares de pagamentos fraudulentos e prejuízos de milhares de milhões de kwanzas para o Estado, num sistema que deveria, precisamente, impedir esse tipo de práticas.
Finanças, da Administração Pública e da Administração do Território. De acordo com as mesmas fontes. os contratos terão sido celebrados maioritariamente por ajuste directo, sem concursos públicos transparentes, sem divulgação de valores globais e sem auditorias independentes conhecidas, criando um ambiente propício à superfaturação, desvio de fundos públicos e dependência tecnológica externa.
No projecto do Bilhete de ldentidade, iniciado em 2021, a Uniprime foi beneficiária de um despacho presidencial que autorizou mais de 63 milhöes de dólares para a produção de cartões e fornecimento de equipamentos biométricos, alegadamente por motivos de urgência eleitoral.
FONTE: IMPARCIAL PRESS