Ministro do Ensino Superior acusado de proteger Aurora Bambi e engavetar escândalo de corrupção ISP-BENGO
O Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação é acusado de ter violado o seu próprio Despacho Interno n.º 20/2025 ao engavetar o processo de investigação contra a Presidente do Instituto Superior Politécnico do Bengo, Aurora Bambi, mesmo depois da comissão de inquérito ter confirmado graves irregularidades na instituição.
REDAÇÃO FD
Passados mais de três meses desde a criação da comissão, o relatório final continua sem divulgação pública e nenhuma medida foi tomada, apesar do despacho estabelecer um prazo máximo de 15 dias para a conclusão do trabalho.
As denúncias indicam a existência de um esquema de corrupção dentro do Instituto Superior Politécnico do Bengo, envolvendo nepotismo, tráfico de influências e o alegado desvio de mais de 40 milhões de kwanzas destinados à investigação científica. Parte desses valores terá sido canalizada para empresas ligadas a familiares da Presidente Aurora Bambi, incluindo a empresa Arte da Limpeza Comércio e Prestação de Serviços, alegadamente associada ao seu sobrinho Abel Brito, funcionário com funções na Secretaria Geral da instituição.
Segundo informações internas, a comissão enviada pelo Ministério recolheu provas documentais, ouviu funcionários e confirmou grande parte das denúncias apresentadas pelos estudantes. Ainda assim, o processo terá sido travado directamente ao nível do gabinete ministerial, impedindo o seu encaminhamento para o SIC, a IGAE e a Procuradoria-Geral da República.
O caso levanta fortes suspeitas de protecção política directa à Presidente Aurora Bambi. Fontes próximas do processo afirmam que o ministro terá usado a sua posição para impedir o avanço das investigações e evitar consequências disciplinares e criminais para a direcção do Instituto Superior Politécnico do Bengo.

Ao não cumprir o prazo estabelecido no seu próprio despacho e ao não tornar público o relatório da comissão, o ministro coloca-se sob suspeita de encobrimento de actos de corrupção numa instituição pública de ensino superior. A paralisação do processo é vista por muitos como uma tentativa deliberada de proteger Aurora Bambi e impedir que o escândalo venha totalmente a público.
Três meses depois, o silêncio do Ministério é interpretado como prova de que o processo foi deliberadamente abafado. A comunidade académica exige explicações urgentes sobre o paradeiro do relatório e sobre as razões que levaram o ministro a bloquear um processo que ele próprio mandou instaurar.
Se não houver esclarecimentos imediatos, ficará evidente que o combate à corrupção no ensino superior está a ser travado por quem deveria liderá-lo. O país precisa saber por que razão o Ministro decidiu proteger Aurora Bambi e deixar sem resposta um dos mais graves escândalos já denunciados no Instituto Superior Politécnico do Bengo.