CASO ISP-BENGO: Aurora Bambi dos Santos é constituída arguida sob o n•: 84420/025.BGO por corrupção, nepotismo e desvio de mais de 30 milhões destinados à investigação científica

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Um escândalo de grandes proporções está a abalar o Instituto Superior Politécnico do Bengo (ISP-Bengo) e começa agora a colocar em causa a responsabilidade política do Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente Lopes Ferreira, bem como o silêncio das autoridades da província lideradas pela Governadora do Bengo, Maria Antónia Nelumba.


REDAÇÃO FACTOS DIÁRIOS

O caso envolve a Presidente da instituição, Aurora Cuaiela João Mateus Bambi dos Santos, que já foi formalmente constituída arguida num processo de investigação criminal conduzido pelo Serviço de Investigação Criminal, no âmbito de suspeitas de corrupção, nepotismo, tráfico de influência e desvio de mais de 30 milhões de kwanzas destinados à investigação científica.

O processo encontra-se registado no Departamento de Combate aos Crimes de Corrupção do SIC do Bengo, sob o número 84420/025.BGO, e levou à notificação oficial de Aurora Bambi para comparecer a interrogatório como arguida no dia 12 de Março de 2026. A convocatória surge após meses de denúncias feitas por estudantes e funcionários do Instituto Superior Politécnico do Bengo, que acusam a direcção da instituição de transformar a gestão académica num sistema de favorecimento familiar e desvio de fundos públicos.

O escândalo torna-se ainda mais delicado porque o próprio Ministro do Ensino Superior havia criado, através do Despacho Interno n.º 20/2025, uma comissão de inquérito para investigar as graves irregularidades denunciadas no ISP-Bengo. O despacho determinava que o relatório final deveria ser apresentado num prazo máximo de 15 dias. Contudo, mais de três meses depois, o relatório nunca foi tornado público e nenhuma medida administrativa foi anunciada, o que levanta fortes suspeitas de que o processo tenha sido deliberadamente engavetado ao nível do gabinete ministerial.

Fontes próximas da investigação indicam que a equipa de inspecção deslocou-se à instituição, recolheu depoimentos e analisou documentos que confirmariam várias das irregularidades denunciadas. Ainda assim, o processo não avançou dentro do Ministério, tendo ficado parado durante meses. Esta paralisação levanta sérias dúvidas sobre a actuação do ministro, que poderá ter violado o seu próprio despacho ao não dar seguimento às conclusões da comissão que ele mesmo criou.

Entretanto, o caso ganhou novos contornos com o avanço da investigação criminal conduzida pelo SIC. Além de Aurora Bambi, também foi convocado para interrogatório o seu irmão, Mateus Elavoko, que exerce funções como Chefe do Departamento Jurídico e de Intercâmbio Internacional no ISP-Bengo. Inicialmente, Mateus Elavoko apresentou-se como advogado de defesa da Presidente da instituição, mas acabou por se tornar igualmente visado no processo criminal, deixando de poder representá-la juridicamente.

Segundo informações recolhidas durante a instrução preparatória, Mateus Elavoko e Aurora Bambi terão sido responsáveis por uma denúncia apresentada junto do SIC contra os vice-presidentes da instituição, Maria de Fátima Bandeira e Francisca Mukola. Na denúncia, os dois gestores acusavam as vice-presidentes de alegada adulteração de notas no sistema de gestão académica, insubordinação, sabotagem institucional e criação de um ambiente de instabilidade com o objectivo de manchar a imagem da Presidente do ISP-Bengo. No entanto, durante a investigação, muitas dessas acusações teriam sido consideradas inconsistentes ou não confirmadas, o que acabou por levantar suspeitas de tentativa de manipulação institucional para afastar membros da direcção.

Outro elemento que agravou o escândalo envolve o irmão da Presidente, Renato Luís, acusado de ter desviado avultadas somas de dinheiro destinadas ao fundo de manejo da instituição. Apesar da existência de indícios e documentos que apontam para irregularidades na gestão desses recursos, Aurora Bambi teria protegido o familiar, numa atitude que várias fontes classificam como um claro caso de nepotismo e tráfico de influência dentro da administração do ISP-Bengo.

As denúncias indicam ainda que Renato Luís continua a exercer forte influência dentro da instituição, inclusive no recrutamento irregular de trabalhadores sem contrato formal. O caso mais recente citado por fontes internas envolve o jovem jardineiro José Pedro, que teria sido integrado no quadro de funcionários da instituição sob orientação directa de Renato Luís, sem os procedimentos administrativos exigidos pela lei da função pública.

Perante este cenário, cresce a pressão pública sobre o Ministro do Ensino Superior e sobre o Governo Provincial do Bengo para esclarecer se existe ou não protecção política à Presidente do ISP-Bengo. O facto de o processo administrativo criado pelo Ministério ter ficado parado durante meses, enquanto a investigação criminal avançou por via do SIC, levanta uma questão inevitável: quem está a proteger Aurora Bambi?

Para muitos membros da comunidade académica, o silêncio das autoridades começa a comprometer a credibilidade das instituições responsáveis pelo combate à corrupção no ensino superior. Num momento em que Angola afirma lutar contra práticas de nepotismo e desvio de fundos públicos, o caso do Instituto Superior Politécnico do Bengo pode tornar-se um teste decisivo à transparência e à responsabilidade política no sector académico.


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