ÁFRICA DESAFIADA PELO ÉBOLA: Especialistas exigem mais investimento na ciência e na saúde.
Especialistas e analistas políticos africanos defendem um reforço urgente do investimento na ciência, na investigação médica e na indústria farmacêutica do continente, como forma de melhorar a capacidade de resposta às epidemias, com destaque para o vírus do Ébola.
Os acadêmicos criticam a persistente fragilidade da resposta africana perante uma doença que continua a provocar surtos mortais décadas após a sua descoberta. Para os especialistas, a falta de investimento na investigação científica e na valorização dos recursos médicos locais tem dificultado o combate eficaz à enfermidade.
Segundo o analista político Bernardino Teto, o vírus do Ébola é conhecido há várias décadas, mas continua a representar um desafio para os sistemas de saúde africanos. O especialista compara a situação com a pandemia da Covid-19, período em que a comunidade científica internacional mobilizou recursos significativos para desenvolver vacinas e tratamentos em tempo recorde.
Por sua vez, o analista Daniel Saviemba apelou aos governos africanos para que aumentem os investimentos no sector da saúde, de modo a reduzir a dependência externa e fortalecer a capacidade de resposta a futuras emergências sanitárias.
Já o professor Osvaldo Mbaco defende uma maior união entre os líderes africanos para enfrentar o problema. Apesar de a doença afetar com maior frequência a República Democrática do Congo, considera que a situação exige uma estratégia continental coordenada.
“Já era tempo de a União Africana apresentar uma resposta mais robusta para esta situação. Não é aceitável que o continente continue sem uma estratégia eficaz para enfrentar um problema recorrente”, afirmou.
O analista de política africana Nelson Pereira de Sousa sugere ainda uma maior valorização da medicina tradicional africana como complemento aos esforços científicos no combate à epidemia.
Numa posição diferente, João Gomes Gonçalves acredita que as populações congolesas acumularam experiência suficiente ao longo dos anos para lidar com a doença, devido à convivência frequente com os surtos de Ébola.