Falta de Vontade ou Desconhecimento do Executivo? A Atuação dos Bancos Comerciais em Angola

OPINIÃO
Zacarias Pascoal Calungo (Calungo Júnior)
O setor bancário angolano continua a funcionar mais como casas de câmbio do mercado paralelo do que como verdadeiros bancos comerciais. Essa realidade, longe de ser um mero acaso, reflete um problema estrutural ligado ao próprio modelo de governação em vigor no país.
A questão que se impõe é: os governantes desconhecem essa realidade ou simplesmente não têm vontade de mudar? Para responder a essa pergunta, trago uma experiência pessoal que vivi em 2010, quando trabalhava como garçom numa unidade hoteleira na província da Huíla.
Naquele ano, fui contratado por outra unidade hoteleira, gerida pela esposa e filha do então governador da Huíla, Ramo da Cruz. Durante uma semana, tive a responsabilidade exclusiva de atender a mesa do então Vice-Presidente da Assembleia Nacional, João Manuel Gonçalves Lourenço, que estava na província em agenda oficial. Entre as muitas conversas que ouvi, uma me marcou profundamente: um diálogo entre o Vice-Presidente e a então deputada Bragança, ex-ministra do Ambiente, sobre o funcionamento dos bancos comerciais angolanos.
A deputada Bragança expôs uma situação que revela a desigualdade de tratamento entre dirigentes do governo e cidadãos comuns no acesso ao crédito bancário. Contou que, ao solicitar um empréstimo bancário, foi prontamente encaminhada ao gerente da agência e, em menos de dez minutos, recebeu formulários para assinar, com a garantia de que os valores estariam disponíveis na sua conta já no dia seguinte. Em contraste, para o cidadão comum, os bancos impõem uma série de exigências, tornando praticamente impossível o acesso ao crédito.
Diante dessa realidade, João Lourenço respondeu que o problema não estava exatamente nos bancos, mas no sistema de governo que os sustenta. Segundo ele, para mudar essa atuação negativa dos bancos comerciais, seria necessária uma mudança no sistema de governação, e que o único modelo capaz de corrigir essa distorção seria o liberalismo econômico e a economia de mercado.
No entanto, anos se passaram, e João Lourenço tornou-se Presidente da República e Titular do Poder Executivo. Durante seus mandatos, a situação econômica do país só se agravou. Empresas faliram, a pobreza aumentou e o sistema bancário continua a operar com a mesma desigualdade que ele próprio criticava quando era Vice-Presidente da Assembleia Nacional.
Diante desse cenário, fica a pergunta: será que ele e seu governo realmente não sabem o que deve ser feito para melhorar Angola? É difícil acreditar nisso. O mais provável é que este seja o modus operandi dos socialistas: manter a população na miséria e impedir o crescimento econômico real. Enquanto isso, os bancos comerciais seguem operando como agentes de um sistema que beneficia apenas os privilegiados do