João Lourenço apela ao engajamento dos Estados-Membros da CIRGL para sanar a crise financeira que assola a Organização

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O presidente da República apelou o engajamento dos Estados-Membros da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL) para fazer cessar a crise financeira que a Organização enfrenta fruto do atraso das contribuições.


POR KAMALUVIDI BALTAZAR

Este apelo foi feito na 9ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da CIRGL, quando Angola concedia a passação da presidência rotativa da Organização à República Democrática do Congo.

No seu discurso, o presidente cessante destacou como apelo a união de todos os Estados-Membros com objectivo de acabar com a crise financeira que tem assolado a Organização, acrescentando que a mesma apresenta um grande perigo no que toca a sua existência.

“A República de Angola gostaria que, no âmbito da sua presidência, as reformas de que a Organização necessita, sobretudo ao nível do Secretariado, fossem mais substanciais.

Tal não foi possível devido à crise financeira em que se encontra mergulhado o Secretariado da CIRGL, decorrente dos atrasos na recepção das contribuições dos Estados membros, perigando a sua sustentabilidade e, até mesmo, existência.

Nesta conformidade, apelamos ao engajamento dos Estados-Membros no
cumprimento das suas contribuições financeiras, liquidando as suas dívidas junto da Organização, para sanar a crise financeira em que se encontra e possa, com isso, cumprir com as suas obrigações e colocar a CIRGL à altura dos seus desafios e aspirações”, exortou o presidente cessante.

Segundo o presidente da República, Angola assumiu, pela segunda vez, a presidência rotativa da Organização num contexto caracterizado por um quadro macro de segurança da região que continuava a registar um crescimento de grupos armados e terroristas, alegadamente alimentados por sentimentos de desconfiança e ódio entre comunidades e populações civis.

“Fizemos tudo o que esteve ao nosso alcance para contribuir na resolução dos problemas mais candentes com que nos debatemos na região e hoje, ao fazer a transferência das responsabilidades que exerci até aqui, para Sua Excelência Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, faço-o com a plena convicção de que a paz é possível, desde que coloquemos os interesses dos nossos povos acima de quaisquer outros e nos compenetremos de que a cooperação e a colaboração genuína entre as nossas nações.

Acreditamos que as diligências dos nossos parceiros externos podem contribuir também, se nos engajarmos seriamente nestes esforços, para a busca de soluções de paz para os nossos conflitos. A RDC passa, a partir de hoje, a presidir a uma organização que tem, entre outras, a responsabilidade de velar pela paz e segurança dos países membros, entre os quais o conflito armado reinante no seu próprio país.

É um exercício que requer muita habilidade, por poder parecer ao mesmo tempo árbitro e jogador, mas estamos confiantes de que o bom senso e sentido de equilíbrio na análise dos factos vai prevalecer. Ao Presidente Félix Antoine Tchissekedi auguramos muito sucesso no desempenho das funções de Presidente da CIRGL”, disse.


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