LUANDA (25.01.1576 – 25.01.2026) 450 DE HISTÓRIA
OPINIÃO
Professor Dinis “Mvemba Motumona” (Janeiro de 2027)
A cidade de Luanda, ganha o nome através da sua ilha (ilha de Luanda), local onde os primeiros colonos portugueses se radicaram. O topónimo Luanda provém do étimo LU-NDANDU. O prefixo LU, primitivamente uma das formas do plural da língua bantu, é comum nos nomes de zonas do litoral, de bacias de rios ou de regiões alagadas (exemplos: Luena, Lucala, Lobito…) e, neste caso, refere-se à restinga rodeada pelo mar.
NDANDU significa VALOR OU OBJECTO DE COMÉRCIO e alude à EXPLORAÇÃO DOS PEQUENOS BÚZIOS, colhidos na ilha de Luanda e que constituíam a moeda corrente no antigo Reino do Kongo e em grande parte da costa ocidental africana, conhecidos por NZIMBU OU NJIMBU.
Como os povos ambundu moldavam a pronúncia da toponímia das várias regiões ao seu modo de falar, eliminando alguns sons quando estes não alteravam o significado do vocábulo, de Lu-ndandu passou-se a Lu-andu. O vocábulo, no processo de aportuguesamento, passou a ser feminino, uma vez que se referia a uma ilha, e resultou em Luanda.
Outra versão para a origem do nome refere que o mesmo deriva de “axiluandas” (homens do mar), nome dado pelos portuguses aos habitantes da ilha, porque quando aí chegaram e lhes perguntaram o que estavam a fazer, estes responderam “uwanda”, um vocábulo que em kimbundu designava trabalhar com redes de pescas.
Luanda, também conhecido como “KIANDA” (São “espíritos das águas” e uma das entidades reguladoras do mar, dos lagos, dos rios, dos peixes, das marés e da pesca.), segundo a tradição, termo Luanda significa na língua kimbundo-TRIBUTO, que efectuava-se no posado ao soberano do reino do Kongo.
Algumas fontes se refiram que a ilha de Luanda era dependente do Kongo (ou seja, considerado o banco do reino do Kongo), é lá onde fazia-se a colecta do nzimbu – moeda usada no Kongo.
Segundo fontes orais, da costa do Morro dos Veados à São Pedro da Barra, era considerado o Ministério das Finanças do reino do Kongo e, Ngola Kiluanje era o Ministro das Finanças e Pescas, indicado pelo Rei do Kongo. Não foi por acaso que os portugueses construíram o actual Banco Nacional de Angola em frente a ilha de Luanda, serviu para simbolizar a moeda do Kongo – o nzimbu recolhido na ilha de Luanda.
A primeira missão diplomática enviada pelo rei D. Manuel I, chegou em 1520, dirigindo por Manuel Pacheco e Baltazar de Castro, datado de 16 de Fevereiro (1520).
No dia 3 de Maio de 1960, Paulo Dias de Novais chega pela primeira vez no reino do Ndongo, apertou no barra do Kwanza.
Em 1575, Novais voltou pela segunda vez vem Angola, para conquistar o reino do Ndongo, a arma de Novais partiu de Portugal, no 23 de Outubro de 1574 e chegou a ilha de Luanda no dia 20 de janeiro de 1575, no dia 25 de janeiro de 1576, Paulo Dias de Novais e a sua comitiva instalaram-se em terra firme, essa data, marcou a fundação da cidade de são Paulo de Assunção de Loanda.
Em 1606, deu-se a construção do palácio dos governadores paralelamente a obra dos jesuítas, na mesma linha do terreno a do senado do Câmara em dia 1623.
Desta efeita, notava-se os esforços tímidos para efectuação do novo modelo de urbanização que resultou primeiro na vila de Luanda.
Em 1627, a cidade de Luanda passou a ser a capital de Angola, isto é, centralização e concentração do poderes quando a urbanização, a cidade estava dividido pela parte Alta e pela parte Baixa, na parte Alta, destacava-se a construção da igreja do Carmos em 1661, desta feita inicia a urbanização da Imgombota, na parte baixa foi pensada para os assuntos do comércio.
Os lugares onde se encontravam os espaços que abasteciam a água a cidade, dão o nome ao bairro Maianga, um topónimo antigo que traduz no corruptela do termo kimbundu mànhanga, já kikongo maianga que significa posso de água, as primeiras tentativas de se trazer água à Luanda a partir do rio Kwanza data de 1645 no tempo da ocupação holandesa que não surtiu o efeito.
De 1641 a 1648, Luanda foi ocupada pelos holandeses, em apoio da Rainha Ginga Mbandi, que terminou em 15 de Agosto de 1648.
A recuperação da cidade de Luanda, recai ao Salvador Correia de Sá e Benevides, almirante da armada brasileira que viera do Brasil em socorro dos portugueses, o que permitira a retomada da colonização portuguesa sobre Luanda.
Depois seguiu-se outras tentativas como a do governador Dr. António Alves da Cunha, que em 1753 encorajou-se pessoalmente de elaborar um estudo para a canalização das águas do Bengo e Kwanza,ainda assim sem resultados.
Enquanto isso o abastecimento de água era feito a partir dos poços, assim como da água proveniente do Bengo em pipas e tanques a granel, através de embarcações que se vendia pelas ruas da cidade.
No ano de 1857, foi levado a cabo o combate contra os monopolistas de água que exploravam os sacrificados moradores. Este feito deveu-se ao Presidentes da câmara do Munícipio, Rocha Coldeia.
Em 02 de Março de 1889, no mandato de Guilherme Augusto de Brito Capela se concluiria o projecto de canalização das águas do Bengo a partir do Kifwangondu (Kifangondo).
A cidade de Luanda era iluminada por candeeiros óleo de ginguba, em 17 de Julho de 1897, foi inaugurada o sistema de iluminação a gás, em Agosto de 1900, a iluminação passou a ser feita a petróleo. Em 1938, a iluminação passou a ser eléctrica.
Quanto a população, entre 1940 e 1960 a população de Luanda passou de 61.028, para 224.540 habitantes. A percentagem da população branca passou de 14.7%, para 24.7%.
Os dados relativos a população de Luanda, mostram que a população negra da cidade aumentou em 102.7 %, entre 1960 e 1970.
Em 1973,50 % dos habitantes dos musseques tinham já nascido em Luanda.
A população migrante de Luanda veio principalmente das áreas ambundu (74 %), ovimbundu (18 %) e bakongo (6 %). O crescimento rápido da cidade continuou até 1974.
O censo de 2014, a população de Luanda rondava em 6.945.386 habitantes, o último censo de 2024, Luanda tem hoje 8.816.298 habitantes. 0
De acordo com a organização territorial em 2011, Luanda sofreu alteração na sua organização administrativa com a implementação da lei nº 29/11 de 1 de Setembro (lei de alteração da divisão politico-administrativa das províncias do de Luanda e Bengo), o que levou a extinguir os municípios de Sambizanga, Rangel, Maianga, Ingombota , Kilamba Kiaxi e Samba e, no seu artigo nº 4 cria o município de Luanda e o munic´pio de Belas. Na região, foram ainda integrados os municípios de Icolo e Bengo (Catete) e da Quissama. Luanda passou assim, a integrar os municípios de Luanda, Cazenga, Cacuaco, Icolo e Bengo (com sede em Catete), Viana, Belas, (com sede no Distrito Urbano do Kilamba) e Quissama (com sede na Muxima).
Os municípios de Maianga, Ingombota, Rangel, Sambizanga e Samba, deram corpo ao município de Luanda.
A organização administrativa de Luanda é muito dinâmica e está em constante mutações… Foram incorporados 6 (seis) Distritos ao município de Luanda a luz do decreto presidencial nº 47/12 de 22 de M, realidade esta alterada com o surgimento da lei 18/16/ de 17 de Outubro , Lei sobre a divisão administrativa e Angola, onde o que a divisão politico-administrativa de Luanda voltou a aleterar de 7 (sete) para 9 (nove) municípios,contando com o Município de Talatona e do Kilamba Kiaxi, logo, actualmente a província de Luanda tem os seguintes municípios: Luanda, Icolo e Bengo, Quissama, Cacuaco, Cazenga, Viana, Belas, kilamba Kiaxi e Talatona.
De acordo a nova divisão politico-administrativa, consagrada na Lei nº 14/24 de 5 de Setembro, Luanda tem 16 Municípios e 13 Comunas.
Dos municípios de Luanda temos: Cacuaco, Camama, Cazenga, Hoji ya Henda, Imgombota, Kilamba, Kilamba Kiaxi, Maianga, Mulenvos, Mussulo, Rangel, Samba, Sambizanga, Talatona e Viana.
Fontes:
CRUZ E SILVA, Rosa. Luanda e seus lugares de memória, Luanda, 2009.
GOMES, Contribuição ao Estudo da História Angolana, Luanda, 2011.
KAMABAYA, Moisés, O Renascimento da Personalidade Africana, Luanda, 2003.
LEI Nº 14/24 DE 5 DE SETEMBRO, DA NOVA DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA (2024)
LIMA, Herlander. Administração em Angola, Luanda, 2018.
MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO DO TERRITÓRIO. Desconcentração e Descentralização em Angola, Luanda, 2003.
RIBAS, Óscar, Temas da vida angolana e suas incidências, Luanda 2014.
MAT: ELATÓRIO SÍNTESE DO CENSO 2014.
MAT: ELATÓRIO SÍNTESE DO CENSO 2024.