Mara Quiosa VS Manuel Homem e Pereira Alfredo VS Carlos Feijó entram na agenda de simulação de João Lourenço

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O MPLA vive um momento de elevada tensão interna, marcado por incertezas, silêncio estratégico e um clima de desconfiança crescente em torno da sucessão na liderança do partido. Sob a direcção de João Lourenço, a coesão que, durante décadas, garantiu estabilidade ao MPLA dá sinais evidentes de erosão, abrindo espaço para disputas veladas e manobras políticas pouco transparentes.


Nos últimos dias, começaram a circular, nos bastidores do partido, dois cenários aparentemente distintos para as eleições gerais de 2027.

Num primeiro quadro, surgem os nomes de Mara Quiosa, actual vice-presidente do MPLA, e Manuel Homem, Ministro do Interior. Num segundo, aparecem Pereira Alfredo, governador do Huambo, e Carlos Feijó, membro do Bureau Político, sendo este último apontado como o preferido do Presidente nesse cenário.

Contudo, leituras mais atentas das dinâmicas internas indicam que estes cenários não passam de uma agenda de simulação cuidadosamente construída por João Lourenço, para distrair militantes, confundir potenciais adversários e adiar o debate sério sobre a sucessão. O Presidente continua a recusar a abertura de uma discussão franca e democrática nos órgãos próprios do partido, tratando a sucessão como um assunto pessoal e não colectivo.

Fontes próximas da direcção do MPLA indicam que o verdadeiro objectivo de João Lourenço poderá ser manter-se à frente do partido para, em momento oportuno, impor uma solução fora do consenso interno, incluindo a possibilidade de apresentação de Ana Dias Lourenço como candidata presidencial em 2027. A confirmar-se, tal intenção configuraria um perigoso desvio dos princípios estatutários e da tradição colectiva do MPLA.

Este ambiente tem gerado um profundo mal-estar no seio do Bureau Político e do Comité Central, onde cresce a percepção de que o partido corre o risco de ser transformado numa extensão dos interesses pessoais de quem o dirige. O desafio de travar esta deriva não pertence a um grupo específico, mas a todos os militantes que acreditam num MPLA plural, democrático e fiel à sua história.

Para um membro do partido que falou em anonimato, o MPLA é chamado, mais uma vez, a fazer a leitura correcta dos tempos. Não faz sentido que o próximo congresso ordinário se realize sem a abertura democrática consagrada nos estatutos do próprio partido. A força histórica do MPLA sempre residiu na sua capacidade de debater internamente, corrigir rumos e produzir consensos legítimos.

Outras fontes bem posicionadas e que acompanham o processo de perto avançam que os rumores que circulam nas redes sociais, apontando o General António José Maria “Miala” como suposta opção de João Lourenço, não passam de especulações sem base sólida, alimentadas pelo próprio, numa tentativa recorrente de se manter relevante no xadrez político, apesar de não reunir os requisitos políticos e de consenso exigidos para tal ambição, de acordo com figuras de referência no seio do Partido dos Camaradas.

Josué Pereira Bravo


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