Auditoria Governamental como instrumento estruturante da transparência pública: Limitações do quadro legal angolano e a necessidade de certificação internacional em auditoria governamental

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OPINIÃO

PhD. MILTON SIVI JUNIOR



O colunista em causa é coach tantriko e corporativo, politólogo, auditor internacional e consultor holística estrategico-che, quadro senior BPC, membro fundador e ex-vice presidente do IIA-ANGOLA, instituto dos auditores internos.


Presidente fundador da RIHST-RASIVIM Institute For Holistic Strategic Transformation, managing partner da Rasivim Consulting, PCA do GRUPO GEDIA e presidente da ananda marga Tantra Yoga Angola)


Resumo


A auditoria governamental constitui um pilar fundamental dos sistemas modernos de governação democrática, desempenhando um papel central na promoção da transparência, da accountability e da boa gestão dos recursos públicos.

Em Angola, apesar da existência de um quadro normativo que reconhece a importância do controlo financeiro e da fiscalização da gestão pública, persistem limitações estruturais, institucionais e técnicas que comprometem a eficácia do sistema de auditoria governamental.

Este artigo analisa, numa perspetiva científica, os conceitos de transparência e auditoria governamental, examina criticamente a legislação vigente em Angola e defende a necessidade estratégica de capacitação técnica dos auditores angolanos por meio da certificação internacional, com destaque para a Certified Government Auditing Professional (CGAP) do Institute of Internal Auditors (IIA).
Palavras-chave: Auditoria governamental;

Transparência; Accountability; Angola; CGAP; IIA.

  1. Introdução
    A crescente complexidade da gestão pública, aliada à escassez de recursos e às exigências de integridade institucional, tem colocado a auditoria governamental no centro do debate sobre transparência e combate à corrupção. Em contextos de economias em desenvolvimento, como o caso angolano, a auditoria governamental assume uma função ainda mais crítica, na medida em que atua como mecanismo de controlo, prevenção de irregularidades e reforço da confiança social no Estado.
    Contudo, a mera existência de órgãos de controlo e de normas legais não é suficiente para garantir uma auditoria governamental eficaz. É necessário um corpo técnico altamente qualificado, metodologias alinhadas com padrões internacionais e uma cultura institucional orientada para a transparência substantiva, e não meramente formal.
  2. Transparência na Administração Pública: Enquadramento Teórico
    A transparência pode ser definida como o grau de abertura, acessibilidade e inteligibilidade das informações relativas às decisões, processos e resultados da ação governamental. No plano teórico, a transparência está intimamente associada aos conceitos de governação democrática, accountability e controlo social.
    Segundo a literatura especializada, a transparência pública possui três dimensões fundamentais:
    Transparência informacional, relativa à divulgação tempestiva e completa de dados financeiros, orçamentais e operacionais;
    Transparência processual, que diz respeito à clareza dos procedimentos administrativos e decisórios;
    Transparência substantiva, que permite avaliar se as decisões públicas produzem resultados alinhados com o interesse coletivo.
    A auditoria governamental atua transversalmente nessas três dimensões, fornecendo evidência objetiva sobre a legalidade, a eficiência e a eficácia da gestão pública.
  3. Auditoria Governamental: Conceito e Funções
    A auditoria governamental pode ser entendida como um processo sistemático, independente e baseado em normas técnicas, destinado a avaliar a gestão dos recursos públicos e o desempenho das entidades governamentais. Diferentemente da auditoria privada, a auditoria governamental possui um escopo mais amplo, incluindo auditorias financeiras, de conformidade, operacionais e de desempenho.
    As principais funções da auditoria governamental incluem:
    Verificar a legalidade e a regularidade dos atos administrativos;
    Avaliar a eficiência, eficácia e economicidade das políticas públicas;
    Identificar riscos, fraudes e desperdícios;
    Recomendar melhorias nos sistemas de controlo interno e governação.
    Dessa forma, a auditoria governamental não deve ser concebida apenas como um mecanismo sancionatório, mas como um instrumento de melhoria contínua da administração pública.
  4. Limitações do Quadro Legal e Institucional Angolano
    Em Angola, o quadro jurídico-institucional reconhece a importância do controlo da gestão pública, nomeadamente por meio do Tribunal de Contas, das inspeções-gerais e dos sistemas de controlo interno. No entanto, a eficácia desse sistema enfrenta diversas limitações.
    Entre as principais fragilidades, destacam-se:
    • Insuficiente independência funcional e operacional de alguns órgãos de controlo;
    • Ênfase excessiva na auditoria de legalidade formal, em detrimento da auditoria de desempenho;
    • Limitações na divulgação pública dos relatórios de auditoria;
    • Défice de capacitação técnica especializada em auditoria governamental moderna.

Essas limitações revelam que a transparência institucional em Angola permanece, em muitos casos, mais normativa do que efetiva.

  1. A Certificação Internacional como Vetor de Fortalecimento Institucional
    Face a esse cenário, torna-se imperativo investir na capacitação técnica avançada dos profissionais de auditoria governamental. Nesse contexto, o Institute of Internal Auditors (IIA) assume relevância estratégica enquanto entidade de referência mundial na definição de normas e boas práticas de auditoria.
    A certificação Certified Government Auditing Professional (CGAP) é especificamente direcionada para auditores do setor público e abrange áreas cruciais como:
    • Governação e gestão do setor público;
    • Controlo interno e gestão de riscos governamentais;
    • Auditoria de desempenho e avaliação de políticas públicas;
    • Ética, integridade e responsabilidade pública.
    A habilitação de auditores angolanos junto do IIA e a adoção de certificações internacionais como a CGAP contribuiriam significativamente para:
    • Elevar os padrões técnicos da auditoria governamental;
    • Harmonizar as práticas nacionais com padrões internacionais;
    • Reforçar a credibilidade das instituições de controlo;
    • Promover uma cultura de transparência efetiva e profissional.
  2. Considerações Finais
    A auditoria governamental é um instrumento indispensável para a promoção da transparência, da accountability e da boa governação. Em Angola, apesar dos avanços normativos, persistem limitações estruturais que reduzem o impacto real da auditoria na gestão pública, devendo evoluir de auditoria romantica para auditoria pedagogica ou coaching na auditoria e de coaching para auditoria propriamente dita, profissional e integral de acordo com as normas e boas praticas internacionais.
    A superação desses desafios com urgencia moral, exige não apenas reformas legais, mas sobretudo um investimento estratégico na qualificação técnica e proficiencia dos auditores governamentais e não só. A certificação internacional pelo IIA, em particular a CGAP, representa uma oportunidade e etapa concreta para fortalecer as capacidades nacionais, alinhar o país holisticamente com as melhores práticas internacionais e consolidar uma administração pública mais transparente, eficiente e orientada para o interesse público.

BEM HAJA ANGOLA
BEM HAJA AUDITORIA GOVERNAMENTAL.


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