BIOCOM: Lucros milionários, vidas descartáveis? Até quando?
É inadmissível que uma empresa que arrecada milhões de dólares e desembolsa milhões em salários para trabalhadores expatriados não invista o suficiente na manutenção e modernização das suas estruturas, colocando em risco a vida dos seus trabalhadores.
Na madrugada de hoje, a estrutura da Caldeira 1 da Biocom desabou, causando a morte de mais um trabalhador angolano. Um pai de família perdeu a vida, deixando esposa, filhos e familiares mergulhados na dor.
Infelizmente, este não é um caso isolado. Há anos que acidentes graves e mortes de trabalhadores são denunciados durante as campanhas de safra. A pergunta que se impõe é: quantas vidas mais terão de ser perdidas para que medidas eficazes sejam tomadas?
Caso se confirme que houve falhas na manutenção, negligência ou incumprimento das normas de segurança, os responsáveis devem ser identificados e responsabilizados nos termos da lei. A vida humana não pode ser tratada como um custo operacional.
Apelamos ao Presidente da República de Angola, à Inspeção Geral do Trabalho, à Procuradoria-Geral da República e aos demais órgãos competentes para que seja aberta uma investigação séria, independente e transparente, com o objetivo de esclarecer as causas deste acidente, apurar responsabilidades e garantir que tragédias semelhantes não voltem a acontecer.
Nenhum trabalhador deve morrer por falta de segurança. O lucro nunca pode valer mais do que uma vida humana.
IN: Lamúrias del Poeta Ukwanana o porta voz de quem não tem voz