A TRAVESSIA DE ODISSEU: Júlio Bessa e a construção do sonho angolano
OPINIÃO
GALDINO DA SILVA MARQUES PEREIRA/
Sociólogo e Analista Político
Na Odisseia, a ilha de Ogígia não era uma prisão de grades e correntes, mas um cativeiro construído à base de conforto aparente e promessas sedutoras. Lá, a ninfa Calipso manteve Odisseu refém durante anos, oferecendo-lhe a falsa estabilidade de uma vida sem sobressaltos em troca da sua liberdade e do seu propósito. No cenário sociopolítico angolano contemporâneo, a figura de Calipso encontra o seu reflexo perfeito no Partido-Estado.
Durante décadas, a máquina estatal tem tentado adormecer a Nação com a ilusão de uma estabilidade que, na verdade, significa estagnação. Este sistema, a nossa Calipso moderna, usa as suas artimanhas, o controlo das narrativas e a burocracia institucional para nos convencer de que o mar da mudança é demasiado perigoso, exigindo que o povo permaneça refém na ilha do conformismo, impedido de construir o seu próprio futuro.
Mas a letargia que prende uma Nação não dura para sempre. Assim como o herói grego acabou por sentar-se na praia, olhando para o horizonte e recusando a submissão, também surge na nossa realidade uma liderança que recusa a narrativa de estagnação do Partido-Estado. Este é Júlio Bessa, que assume o papel do nosso Odisseu.
Ele representa a recusa categórica em aceitar o aprisionamento do nosso potencial. Bessa compreende que a verdadeira força não está em negociar com Calipso por melhores condições na ilha, mas em ter a coragem de ser o mestre de obras de uma nova realidade. Pois, um líder não se contenta em gerir a sobrevivência ditada por outrem. Pelo contrário, um líder mobiliza o seu povo para construir o caminho da sua própria afirmação.
Para enfrentar as correntes turbulentas e abandonar a ilha, Odisseu precisava de construir uma embarcação robusta, cortando a madeira com as suas próprias mãos. Porque não se cruza o mar da transformação social a nado ou apoiado em falsas promessas. O veículo necessário para esta travessia colossal é o Partido CIDADANIA.
O CIDADANIA, mais do que uma agremiação política convencional, é o veículo projectado com a engenharia do mérito, da literacia cívica e da vontade popular inquebrável. É o estaleiro onde as mentes angolanas se unem para trabalhar na mesma obra. É o instrumento desenhado meticulosamente para resistir aos ventos contrários do clientelismo e às tempestades da intimidação institucional. Com Júlio Bessa ao leme, o CIDADANIA não é apenas uma alternativa de poder. É a ferramenta principal para a edificação de uma Nação livre.
Desse modo, nenhuma viagem épica se sustenta sem um propósito claro. A Ítaca que procuramos com fervor não é uma terra do passado à qual queremos regressar, nem algo que precisamos de “resgatar”. Ítaca é um projecto virgem, uma projecção ambiciosa e estruturada do nosso futuro, que precisa de ser construída do zero. É assim, que o destino desta travessia é a edificação do Plano: ANGOLA 2075 – O SONHO ANGOLANO.
A nossa Ítaca é uma Pátria que ainda não existe, mas que será erguida por nós. É a Angola onde as instituições servirão o povo, onde o talento e a inovação serão os alicerces, e onde a prosperidade será o tecto que abriga todas as famílias angolanas.
A nossa jornada já começou. O Partido-Estado tentará usar todas as manobras de Calipso para atrasar a partida, desacreditar a visão de Júlio Bessa e criar fissuras no casco da nossa embarcação. Dirão que o mar é revolto e que construir este Sonho Angolano é impossível.
Porém, cabe a nós rejeitar a paralisia. A embarcação do CIDADANIA já está na água, pronta para navegar rumo ao nosso destino histórico. Portanto é hora de abandonar Ogígia (angola do passado), içar as velas da transformação e, juntos, colocarmos a primeira pedra na construção definitiva do Sonho Angolano.