Façam chegar esta mensagem aos administradores municipais que se encontram na província do Namibe e aos respectivos Governadores
OPINIÃO
LUÍS DE CASTRO/PRESIDENTE DO PARTIDO LIBERAL
CAMARADAS ADMINISTRADORES,
Quem exerce funções públicas deve compreender que administrar um município não é possuir o município. É servir pessoas, proteger recursos públicos e responder perante a comunidade.
Nos últimos dias, têm sido constantes as denúncias de alegados desvios de recursos destinados à alimentação escolar, para não falar do Programa de Combate à Fome e à Pobreza que, em determinados municípios, parece produzir o efeito contrário: em vez de combater a fome e a pobreza, acaba por combater os pobres.
E aqui está a primeira pergunta que a consciência de cada administrador deve responder: como se pode dormir tranquilo quando uma criança vai para a escola com fome enquanto recursos destinados à sua alimentação são alegadamente desviados?
Também são preocupantes as denúncias de empresários nacionais que, depois de executarem trabalhos ou fornecerem bens ao Estado, ficam meses ou anos à espera de pagamentos. Pior ainda são as acusações de pedidos de dinheiro por empréstimo, com promessas de pagamento através de ordens de saque relacionadas com empreitadas que nunca chegaram a ser executadas ou com supostos fornecimentos de materiais.
Se estas denúncias forem verdadeiras, não estamos perante simples irregularidades administrativas. Estamos perante práticas que corroem a confiança, destroem empresas, eliminam empregos e empobrecem famílias.
Não devemos, porém, cometer a injustiça de colocar todos os administradores no mesmo saco. Existem servidores públicos sérios, honestos e comprometidos com o bem comum. É por eles e pelo povo que os actos daqueles que eventualmente abusem das suas funções devem ser investigados e responsabilizados.
Camaradas administradores, o poder é transitório; o carácter e o legado permanecem.
Muitos de vós poderão estar a cumprir os últimos meses das vossas funções. Amanhã, poderão regressar às vossas famílias sem os cargos, sem as viaturas oficiais e sem os privilégios do poder. Restará apenas a memória daquilo que fizeram.
Como querem ser lembrados?
Como servidores que ajudaram a melhorar a vida dos seus munícipes ou como homens e mulheres que fizeram do erário público instrumento de enriquecimento pessoal?
Aproveitem o encontro do Namibe não apenas para reuniões, discursos e fotografias. Aproveitem-no para reflectir, corrigir práticas e recuperar a confiança do povo.
E aos responsáveis pela administração do território deixamos também uma pergunta legítima: qual é o benefício concreto destes encontros anuais para os munícipes? Se o Estado mobiliza recursos para reunir administradores de todo o país, é razoável exigir resultados, metas, compromissos e prestação de contas.
O povo não precisa de encontros que terminem em discursos. Precisa de escolas com alimentação, empresários protegidos, obras executadas, serviços públicos dignos e recursos públicos tratados com responsabilidade.
Porque o dinheiro do Estado não é dinheiro de quem governa. É dinheiro do povo.
E quem recebe a confiança para administrar o que pertence ao povo deve saber que, mais cedo ou mais tarde, terá de prestar contas.