DENÚNCIA PÚBLICA: O abandono do Instituto Superior Politécnico do Huambo exige respostas urgente

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Quem está, afinal, a gerir o Instituto Superior Politécnico do Huambo? Quem responde pelo estado de degradação a que uma das mais importantes instituições de ensino superior da província chegou?

É inadmissível que uma instituição universitária se encontre num estado de abandono tão evidente. Numa visita recente ao local, ouvi inúmeras preocupações de estudantes e outros membros da comunidade académica e pude constatar sinais preocupantes de degradação.

As zonas verdes estão abandonadas. O pátio, em muitos pontos, mais parece um curral do que o espaço de uma instituição de ensino superior. No portão principal, troncos de árvores foram colocados de forma desordenada, tendo, segundo pude verificar, contribuído para a danificação do muro e do gradeamento.

Os veículos de apoio encontram-se abandonados, transmitindo uma imagem de desorganização e falta de gestão.

Desde 2015, muitos afirmam que o Instituto Superior Politécnico do Huambo perdeu a dinâmica que o caracterizava. Desapareceram os convénios internacionais que mantinha com instituições do Brasil, na área das tecnologias, e com Portugal, na Engenharia Civil. Que explicações existem para o fim dessas parcerias? O que foi feito para as preservar ou substituir?

Chegam igualmente denúncias de que laboratórios que anteriormente possuíam equipamentos e meios tecnológicos encontram-se hoje praticamente vazios. Há ainda alegações graves de que parte desses equipamentos poderá ter sido desviada para instituições privadas. Trata-se de uma acusação séria que exige um inquérito rigoroso e independente para apurar a verdade, identificar responsabilidades e recuperar o património público, caso as denúncias se confirmem.

Há também fortes críticas dirigidas ao corpo docente. Existem estudantes que denunciam práticas de corrupção envolvendo alguns professores estrangeiros e acusam determinados professores angolanos de explorarem os estudantes. São denúncias extremamente graves que não podem ser ignoradas nem abafadas.

Dirijo igualmente uma chamada de atenção ao decano da instituição. A liderança académica não pode permanecer indiferente enquanto a qualidade do ensino, a imagem do Instituto e o futuro dos estudantes se deterioram. Quem ocupa cargos de direção tem o dever de responder pelos resultados da sua gestão e de prestar contas à comunidade académica.

À Magnífica Reitora, Doutora Virgínia Quartin, intervenha com urgência. O Instituto Superior Politécnico do Huambo precisa de uma auditoria administrativa, financeira, patrimonial e académica. Os estudantes merecem uma formação de qualidade, laboratórios funcionais, professores comprometidos e uma gestão transparente.

Importa ainda esclarecer várias questões fundamentais. Existe orçamento para o Instituto? Qual é o seu valor anual? Quanto arrecada a instituição em propinas, emolumentos e outras receitas? Como esses recursos são aplicados? A comunidade académica e a sociedade têm o direito de conhecer essas respostas.

É igualmente urgente proceder a um inventário completo de todos os equipamentos afetos aos laboratórios, verificando a sua localização, estado de conservação e utilização. Se houve desaparecimento de bens públicos, os responsáveis devem ser identificados e responsabilizados nos termos da lei.

Se o Huambo pretende continuar a afirmar-se como cidade académica, essa designação deve refletir-se na qualidade das suas instituições de ensino superior e não servir apenas como um slogan. O ensino superior não pode ser entregue ao abandono nem transformado num espaço de degradação e desorganização.

O silêncio apenas favorece a continuidade dos problemas. Os estudantes, os docentes sérios e toda a sociedade angolana merecem respostas, transparência e uma gestão responsável do Instituto Superior Politécnico do Huambo.

IN: Lamúrias del Poeta Ukwanana o porta voz de quem não tem voz 🗣️


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