OS NOSSOS “POR CAUSA DE” E A CIDADANIA COMO O GRANDE “APESAR DE”

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OPINIÃO

WALDEMIRO DOS ANJOS SARAIVA/
Historiador & Politólogo


Angola vive um paradoxo que desafia a matemática básica da democracia. A juventude é a esmagadora maioria demográfica, mas a mais ínfima minoria na concepção das políticas públicas. Ao olharmos para o actual cenário sócio-político, somos confrontados com uma juventude que, compreensivelmente, balança entre o peso esmagador do passado e a urgência de um futuro diferente. É uma luta diária entre as razões para desistir e os motivos para continuar.

Para compreendermos o silêncio e o distanciamento político desta geração, precisamos de olhar de frente para os nossos “por causa de”.

É “por causa de” quase meio século de uma governação que se provou relutante em não avançar que o desalento se instalou. É “por causa da” fusão tóxica que criou o Partido-Estado, que as instituições perderam a credibilidade aos olhos de quem deveria confiar nelas.

Foi “por causa de” repetidas experiências negativas, de promessas engavetadas e de um sistema que insiste em manter a juventude à margem, que vimos a abstenção atingir níveis históricos no sufrágio de 2022.

Aqueles que optaram por não ir às urnas não o fizeram por preguiça ou desinteresse. Fizeram-no porque os seus “porquês” e os seus “por causa de” pesaram mais. O silêncio abstencionista foi, na verdade, um grito ensurdecedor de desilusão.

É um facto inegável que, politicamente, ainda engatinhamos. O cansaço é real, a desconfiança é justificada e o instinto de abandonar a arena política faz todo o sentido quando o jogo parece viciado.

No entanto, é exactamente aqui que a nossa narrativa tem de sofrer uma disrupção. Se os “por causa de” explicam a nossa dor e a nossa paralisia, precisamos de uma força motriz capaz de nos arrancar do cinismo. E essa força tem um nome.

O Partido CIDADANIA tem de ser o nosso inabalável “apesar de”.

“Apesar das” cartas marcadas, o Partido exige que nos sentemos à mesa.
“Apesar de” o Partido-Estado tentar monopolizar a esperança, o CIDADANIA lembra-nos que o poder, em última instância, reside no povo.


“Apesar das” frustrações acumuladas de 2022 e das décadas anteriores, o exercício pleno da cidadania é a única via pacífica e legítima para a verdadeira mudança.

A cidadania não é apenas possuir um Bilhete de Identidade, mas um estado de acção constante. É a recusa em entregar o destino do país nas mãos de quem lucra com a nossa apatia. Como temos visto em outras latitudes do nosso continente, quando uma juventude decide transformar o seu cansaço em mobilização cívica, o impossível torna-se subitamente inevitável. Máquinas estatais supostamente invencíveis caem perante a força avassaladora do voto popular e da vigilância cívica.

Portanto, não podemos permitir que a fadiga nos roube o país. O voto continua a ser a nossa ferramenta mais poderosa. Que no próximo embate, e em todos os dias que o antecedem, deixemos as razões do nosso desânimo no passado. Que os nossos “por causa de” sirvam apenas como memória do que não queremos repetir, mas que o Partido CIDADANIA se erga, de forma contundente e irreversível, como o nosso maior e mais revolucionário “apesar de”.


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