Yuri Rebelo reforça cooperação entre os Conselhos Nacionais de Juventude de Angola e Portugal
O Secretário-Geral do Conselho Nacional de Juventude de Angola (CNJ), Yuri Carlos Rebelo, e pré-candidato à Presidência do Conselho Nacional de Juventude, manteve, esta quinta-feira, em Lisboa, um importante encontro de trabalho com o Conselho Nacional de Juventude de Portugal (CNJ Portugal), no âmbito da sua visita de intercâmbio à República Portuguesa.
REDAÇÃO DO FACTOS DIÁRIOS
Recebido pelo Presidente do CNJ Portugal, Francisco Garcia, nas instalações da instituição, Yuri Rebelo abordou um conjunto de matérias consideradas estratégicas para o reforço da cooperação juvenil entre Angola e Portugal, com particular enfoque na educação, empregabilidade, primeiro emprego, formação técnico-profissional, intercâmbio, estágios e participação dos jovens nos processos de decisão.
Um dos principais pontos do encontro esteve relacionado com a necessidade de reforçar o posicionamento da juventude angolana e das suas organizações representativas nas grandes plataformas internacionais de decisão, particularmente nos espaços de cooperação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Para Yuri Rebelo, a juventude angolana deve deixar de ser apenas destinatária das políticas públicas para assumir, cada vez mais, um papel ativo na definição das agendas de desenvolvimento, quer a nível nacional, quer no quadro da cooperação internacional.
Bolsas de estudo e oportunidades para jovens angolanos
Durante a reunião, o Secretário-Geral do CNJ Angola solicitou igualmente a intervenção do Presidente do CNJ Portugal no sentido de serem identificadas e encaminhadas oportunidades de bolsas de estudo para jovens angolanos, sobretudo nas áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento do país.
A proposta foi recebida positivamente por Francisco Garcia, abrindo perspetivas para o aprofundamento de mecanismos de cooperação capazes de aproximar instituições académicas, organizações juvenis e parceiros portugueses dos jovens angolanos.
A formação e a qualificação dos jovens foram, aliás, colocadas no centro das preocupações apresentadas pelo dirigente angolano, numa perspetiva de criação de oportunidades concretas para que os jovens possam adquirir competências e, posteriormente, contribuir para o desenvolvimento de Angola.
Primeiro emprego, empregabilidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Outro eixo de grande relevância nas conversações foi a empregabilidade juvenil e o acesso ao primeiro emprego.
Yuri Rebelo defendeu a necessidade de a cooperação entre as organizações juvenis dos dois países produzir resultados práticos, capazes de ajudar os jovens a fazer a transição entre a formação académica e o mercado de trabalho.
Neste âmbito, foram abordadas possibilidades de realização de iniciativas de capacitação, formação técnico-profissional, estágios, intercâmbios e desenvolvimento de competências, tendo como referência também os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente aqueles relacionados com educação de qualidade, trabalho digno, redução das desigualdades e desenvolvimento de competências.
A perspetiva defendida pelo Secretário-Geral do CNJ Angola é a de que a cooperação internacional deve traduzir-se em oportunidades concretas para a juventude, sobretudo para os jovens que concluem a sua formação e enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Angola poderá acolher iniciativas de cooperação juvenil com dimensão europeia
Durante o encontro, foi igualmente discutida a possibilidade de identificar programas e iniciativas apoiadas por instrumentos europeus destinados à juventude, incluindo oportunidades associadas ao Erasmus+ e ao Corpo Europeu de Solidariedade, que apoiam projetos ligados à educação não formal, participação juvenil, inclusão, voluntariado e desenvolvimento de competência
A intenção manifestada é estudar, em conjunto com parceiros portugueses e outras instituições elegíveis, mecanismos que permitam levar para Angola experiências, projetos e iniciativas de capacitação juvenil, adaptando-as à realidade angolana e criando benefícios diretos para os jovens.
O objetivo passa por transformar a cooperação entre os dois Conselhos Nacionais de Juventude numa plataforma de oportunidades, conhecimento e mobilidade, aproximando os jovens angolanos de experiências internacionais e, ao mesmo tempo, criando condições para que competências adquiridas no exterior possam ser colocadas ao serviço do desenvolvimento de Angola.
Conhecer por dentro o CNJ Portugal
A visita incluiu ainda uma apresentação institucional das instalações do Conselho Nacional de Juventude de Portugal.
Yuri Rebelo foi acompanhado pelo Presidente Francisco Garcia numa visita às diferentes áreas da instituição, tendo recebido explicações sobre o funcionamento do CNJ Portugal, a sua estrutura organizativa, os mecanismos de representação das organizações juvenis e o trabalho desenvolvido pela sua equipa.
O encontro terminou com um gesto simbólico de amizade e cooperação: o Presidente do CNJ Portugal ofereceu ao Conselho Nacional de Juventude de Angola um símbolo comemorativo dos 41 anos do Conselho Nacional de Juventude de Portugal, como expressão da aproximação entre as duas instituições.
CNJ Angola ausculta estudantes angolanos em Portugal
Ainda no âmbito da agenda de trabalho de 3 de setembro, o Secretário-Geral do CNJ Angola manteve um encontro com representantes da Associação dos Estudantes Angolanos em Portugal (AEAP), realizado no Hotel 3K Europa, em Entrecampos, Lisboa.
O encontro contou com a presença do Vice-Presidente da AEAP, Augusto Francisco, e da Tesoureira, Aline da Conceição, em representação da direção da associação, cujo Presidente, Ayrton Pahula, se encontrava ausente da cidade em missão de trabalho associativo.
A reunião serviu para auscultar as principais preocupações dos estudantes e jovens angolanos que se encontram em Portugal, tendo sido discutidos temas relacionados com o encaminhamento dos jovens, aproveitamento das competências adquiridas, empregabilidade, empreendedorismo e o regresso e reinserção de jovens formados em Portugal no mercado de trabalho e na sociedade angolana.
Os representantes da AEAP manifestaram ainda a necessidade de uma maior aproximação com o Conselho Nacional de Juventude de Angola, solicitando que o CNJ possa assumir um papel mais ativo na defesa e encaminhamento das preocupações dos jovens angolanos residentes e estudantes em Portugal junto das instituições competentes em Angola.
Uma ponte entre os jovens angolanos em Portugal e Angola
O encontro permitiu igualmente reforçar a ideia de que a diáspora juvenil angolana deve ser encarada como um ativo estratégico para o país.
Para Yuri Rebelo, os jovens angolanos que estudam e se qualificam no exterior devem encontrar, no regresso a Angola, mecanismos de integração, aproveitamento profissional e valorização das competências adquiridas, evitando que o investimento feito na sua formação se perca por falta de oportunidades.
A agenda desenvolvida em Lisboa insere-se, assim, numa visão de reforço da internacionalização do Conselho Nacional de Juventude de Angola, procurando estabelecer pontes institucionais capazes de gerar oportunidades reais para a juventude.
A visita de intercâmbio à República Portuguesa representa, deste modo, mais um passo na construção de uma agenda de cooperação internacional centrada na formação, empregabilidade, primeiro emprego, empreendedorismo, mobilidade, intercâmbio, estágios e participação dos jovens nos processos de decisão.
Para o CNJ Angola, a cooperação internacional deve ter um propósito claro: abrir portas para que mais jovens angolanos tenham acesso ao conhecimento, à formação, às oportunidades e às ferramentas necessárias para participarem ativamente na construção do futuro de Angola.