“Muitos bancos em Angola são casasde câmbio e estão mais preocupados com a mixa do que em financiar a economia”, Mário Durão
O empresário angolano Mário Durão lançou duras críticas ao funcionamento do sistema bancário nacional, afirmando que muitas instituições financeiras estão mais preocupadas com a negociação de divisas e a obtenção de ganhos do que com o financiamento de empresários e o desenvolvimento da economia real.
As declarações foram feitas durante uma transmissão em directo na rede social TikTok, na qual Durão e o empresário Laurindo Justo abordaram as dificuldades e os obstáculos burocráticos enfrentados por empresários angolanos na tentativa de obter crédito bancário.
Durante a conversa, Laurindo Justo defendeu que os bancos precisam de compreender que o financiamento de empresas e particulares pode representar uma importante fonte de receitas, contribuindo simultaneamente para o crescimento económico do país.
“Quando os bancos entenderem que podem ganhar mais dinheiro financiando empresários e pessoas singulares, teremos instituições financeiras que realmente movimentam a economia nacional”, defendeu Justo.
Por sua vez, Mário Durão foi mais contundente nas críticas, considerando que várias instituições bancárias em Angola funcionam praticamente como casas de câmbio, privilegiando operações cambiais em detrimento do financiamento da actividade produtiva.
Segundo Durão, os bancos estão mais preocupados em negociar divisas, obter comissões e beneficiar de operações envolvendo grandes empresas do que em apoiar pequenos e médios empresários que procuram financiamento para desenvolver os seus negócios.
“Praticamente não temos bancos, temos casas de câmbio. Estão mais preocupados com a mixa do que em financiar a economia real”, afirmou o empresário, de acordo com o relato da transmissão.
As declarações dos dois empresários levantam uma questão central sobre o papel da banca angolana no desenvolvimento económico, sobretudo num contexto em que o acesso ao crédito continua a ser apontado por vários empreendedores como um dos principais obstáculos ao crescimento dos seus negócios.
Para Durão e Justo, é necessário que as instituições bancárias assumam um papel mais activo no financiamento da produção nacional, na criação de empregos e no fortalecimento do empresariado angolano, em vez de concentrarem as suas actividades em operações cambiais e serviços financeiros de curto prazo.
FONTE: LIL PASTA NEWS
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