Denúncia anónima expõe drama dos reformados e disparidade salarial nas Forças Armadas Angolanas

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Um militar das Forças Armadas Angolanas (FAA), que pediu anonimato por receio de represálias, lançou um alerta sobre a situação social dos efetivos que transitam para a reforma e sobre alegadas desigualdades salariais dentro da instituição castrense.


POR ISIDRO KANGANDJO

Numa mensagem enviada à nossa redacção, o efectivo afirma acompanhar de perto a realidade dos camaradas que deixam a vida militar activa.

“Tenho acompanhado a situação dos militares que estão a ir para reforma, boa parte deles estão a morrer de trombose com o impacto da realidade, que em todos os anos nas Forças Armadas Angolanas não fizeram nada na vida e têm as vidas na extrema pobreza. Conta-se nos dedos os militares reformados que têm casa própria e preparados para uma vida depois da farda”, desabafa.

O militar alerta que a falta de preparação para a vida civil, de habitação própria e de estabilidade financeira tem gerado um forte impacto psicológico e físico nos reformados.

SALÁRIOS ABAIXO DE 150 MIL KWANZAS E DISPARIDADES ENTRE RAMOS

O mesmo denunciante levanta uma segunda preocupação, ligada à política salarial nas FAA.

Segundo o seu relato, milhares de militares nos três ramos – Exército, Marinha de Guerra Angolana (MGN) e Força Aérea Nacional (FAN) – auferem ainda salários abaixo dos 150 mil kwanzas.

Em contrapartida, aponta para a existência de regimes remuneratórios diferenciados.

“Existem os militares da Guarda Presidencial onde um sargento ganha igual ou superior a um Coronel dos Ramos. Dentro dos ramos e espalhados em todas as unidades existem os militares do Serviço de Inteligência Militar (SIM) que além do salário têm um subsídio extra. Um Tenente do SIM está na margem de 2 milhões de kz, salário superior ao de um General”, afirma.

O efectivo justifica o anonimato com o regime disciplinar que rege as Forças Armadas.

“Todos sabemos mas não podemos reclamar porque as FAA é uma sociedade castrense e reclamar é motivo de grandes punições. Estou a falar deste tema mas estou com muito medo porque o serviço de inteligência militar trabalha no sentido de detectar e punir todos os militares com este tipo de abordagem”, conclui.

A Constituição da República de Angola e o Estatuto da Carreira Militar consagram o dever de disciplina e hierarquia, mas também o direito à dignidade e à protecção social dos antigos combatentes e reformados.

A nossa redacção vai continuar a acompanhar o tema e deixa espaço aberto ao Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, ao Ministério da Defesa Nacional e Antigos Combatentes e ao Serviço de Inteligência Militar para o contraditório, com vista ao esclarecimento público dos factos aqui relatados na forma de denúncia.


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