AFIS 2026: líderes financeiros africanos reúnem-se em Luanda para transformar a solidez financeira do continente em crescimento económico

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A sexta edição do Africa Financial Summit (AFIS) abre hoje em Luanda, Angola, sob o tema «Fazer valer o capital: desbloquear o crescimento através das finanças africanas».


Organizada pela Jeune Afrique Media Group em parceria com a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, a cimeira reúne mais de 1.500 líderes financeiros, investidores, reguladores e decisores políticos de toda a
África e de todo o mundo, para dois dias de discussões.

Transformar o desempenho financeiro em impacto económico


O sector financeiro africano entra nesta nova fase com bases cada vez mais sólidas, depois de anos de crescimento sustentado e de melhoria da rentabilidade. As receitas bancárias subiram de cerca de 83 mil milhões de USD em 2020 para mais de 100 mil milhões de USD em 2025, enquanto a rentabilidade dos capitais próprios atingiu 19%, quase o dobro da média mundial. Ainda assim, os empréstimos representam apenas cerca de 30% dos activos bancários africanos. Esta lacuna revela a dificuldade persistente em canalizar recursos financeiros para as empresas, a agricultura, a habitação e as infra-estruturas.


O desafio não consiste, por isso, apenas em mobilizar mais capital, mas em aplicá-lo com maior eficácia. Isso implica canalizar a poupança das pensões e dos seguros para o investimento de longo prazo, partilhar riscos entre intervenientes públicos e privados e desenvolver produtos de financiamento para empresas que continuam fora dos modelos tradicionais de crédito.


A escala institucional também conta. Os 30 maiores bancos africanos detêm cerca de 1,2 biliões de USD em activos, menos de um terço do total dos balanços dos seus homólogos latino-americanos. Mas a consolidação só dará resultados se ajudar a financiar projectos de maior dimensão, a criar especialização sectorial e a ligar mercados ainda fragmentados.


Um diálogo de alto nível sobre as finanças africanas


A cimeira reúne líderes da banca, dos mercados de capitais, dos seguros e do financiamento ao desenvolvimento, entre os quais Makhtar Diop (IFC), Sidi Ould Tah (BAD), Serge Ekué (BOAD), George Elombi (Afreximbank), Jeremy Awori (Ecobank), Luis Lélis (BAI), Edoh Kossi Amenounvé
(BRVM), Samaila Zubairu (AFC) e Armando Manuel (FSDEA). Participam também a ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, e o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel António Tiago Dias. Realizada pela primeira vez na África Austral e num país de língua portuguesa, a AFIS amplia o diálogo entre os centros financeiros do continente.


Makhtar Diop, director-geral da International Finance Corporation (IFC), afirmou: «África tem capital. Tem empresários. Tem um talento extraordinário. A nossa tarefa é ligar estas forças através de sistemas financeiros capazes de responder às ambições do continente. As conversas que mantemos, as parcerias que construímos e os compromissos que assumimos nos próximos dois dias na AFIS ajudarão a determinar se a poupança africana se tornará o capital que constrói as empresas africanas, as infra-estruturas africanas e o emprego africano.»


Amir Ben Yahmed, CEO da Jeune Afrique Media Group e fundador do Africa Financial Summit, afirmou: «Nas últimas duas décadas, o sector financeiro africano tornou-se muito mais forte. Mas o desafio já não é construir instituições financeiras mais sólidas. É garantir que desempenham um papel mais relevante no crescimento do continente. O futuro das finanças africanas medir-se-á não só pela solidez dos balanços, mas também pela sua capacidade de financiar projectos de grande escala, aproveitar as oportunidades da inovação e dar um contributo tangível para transformar das nossas economias.»


Na sua intervenção de abertura, o presidente do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah, apelará a uma coordenação mais estreita entre as instituições nacionais, regionais e continentais, no quadro da Nova Arquitectura Financeira Africana. O objectivo é colmatar o défice anual de financiamento do desenvolvimento, estimado em 400 mil milhões de USD. As garantias, os instrumentos de partilha de risco e o financiamento em moeda local visam tornar mais projectos bancáveis e mobilizar investimento privado.


Prioridades para moldar a próxima década das finanças africanas


Os primeiros resultados do sexto Barómetro Deloitte-AFIS da Indústria Financeira Africana serão apresentados na manhã de abertura. A confiança das instituições inquiridas mantém-se em 8/10, mas a integração regional tem dificuldade em produzir progressos tangíveis: 69% consideram que a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) avança demasiado lentamente, enquanto apenas 11% estão já ligados ao Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação (PAPSS). Os resultados sublinham o fosso entre a força das instituições e a sua capacidade de operar em todo o continente. O relatório completo será publicado em janeiro.


Na quarta-feira, 4 de novembro, um painel de governadores de bancos centrais prosseguirá o debate sobre as condições monetárias, os quadros regulamentares e os sistemas de pagamento que facilitem os fluxos de capital e apoiem a economia real. O objectivo é converter as ambições de integração em decisões práticas para as instituições financeiras e as empresas.

SOBRE O AFRICA FINANCIAL SUMMIT (AFIS)

Fundada pela Jeune Afrique Media Group em 2021, com o apoio da IFC (Grupo Banco Mundial), a AFIS é uma organização irmã do Africa CEO Forum, a principal plataforma do sector privado africano. A AFIS tem por objectivo construir uma indústria financeira sólida, ao serviço da economia real e do desenvolvimento sustentável. Ao reunir as personalidades e instituições mais influentes das finanças africanas, a par dos reguladores, a AFIS trabalha para reforçar a inclusão financeira e promover o aparecimento de uma indústria de serviços financeiros verdadeiramente pan-africana.

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