ANGOLA LEVA A ROMA EXPERIÊNCIA NACIONAL NO COMBATE À FOME E DEFENDE NOVA COOPERAÇÃO PARA SEGURANÇA ALIMENTAR

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O Presidente da República, João Lourenço, levou ao Fórum Mundial da Alimentação de 2026 a experiência do Governo angolano no combate à fome e à seca, e defendeu uma nova arquitetura internacional de segurança alimentar baseada em inovação, investimento e cooperação sem dominação.


POR ISIDRO KANGANDJO

Lourenço começou por apontar o paradoxo do mundo atual: a abundância de alimentos nos países desenvolvidos, graças à sua capacidade tecnológica e produtiva, contrasta com a fome e a má nutrição que afetam milhões de pessoas em vastas regiões do planeta. Para o Chefe de Estado, essa evidência exige ação urgente, que vá da constatação dos factos à capacitação técnica, transferência de tecnologias e mobilização de recursos para investimento no sector agrícola dos países menos desenvolvidos.

O Presidente identificou como causas da fome, além das limitações técnicas, o eclodir cíclico de conflitos armados, que perturbam a produção e as cadeias logísticas globais, e as alterações climáticas cada vez mais violentas, com tempestades, cheias, secas severas, desertificação e aumento de pragas.

Defendeu que a segurança alimentar só será alcançada com um esforço conjugado de governos, sector privado, instituições científicas, ONGs e sociedade civil, e que é urgente aperfeiçoar o modelo de cooperação internacional, abandonando a lógica de dominação e de vantagens que ignoram interesses de terceiros, por gerar tensões e inviabilizar o diálogo necessário à paz, estabilidade e desenvolvimento.

Para Lourenço, a erradicação da fome exige respostas coletivas e uma nova arquitetura de segurança alimentar que tenha em conta fatores políticos, financeiros, técnicos e científicos. Sublinhou que a inovação deve ser vista de forma abrangente, não apenas na sua dimensão tecnológica.

Sobre África, afirmou que o continente possui enorme potencial para uma agricultura florescente, com abundantes terras aráveis, rios, lagos e bom clima, mas enfrenta fome e desnutrição, o que é inaceitável. Esse quadro resulta da combinação de conflitos, alterações climáticas e da necessidade de capacitação para a agricultura familiar, que considerou ser a espinha dorsal do sistema de produção alimentar africano. Defendeu políticas realistas, baseadas nas capacidades técnicas disponíveis, melhoria das práticas tradicionais e formação a todos os níveis, com investimento e transmissão de conhecimento aos jovens para aumentar a produtividade por hectare e as exportações.

No caso de Angola, o Presidente destacou o ambicioso Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país, PCESSA, orçado em 4.2 mil milhões de dólares americanos, que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe e prevê a construção de albufeiras e centenas de quilómetros de canais para armazenar água do rio Cunene e servir pessoas, agricultura e pecuária em qualquer estação do ano.

Referiu ainda a forte cooperação com a FAO, a Iniciativa Hand-in-Hand e a Iniciativa AgroCorredores, e o papel do Corredor do Lobito como plataforma de oportunidades para estimular indústrias e cadeias regionais de valor, em articulação com a Zona de Livre Comércio Continental Africana, mercado de cerca de 1,5 biliões de consumidores, e com a Agenda 2063 da União Africana.

Lourenço destacou o papel fundamental da FAO como espaço de concertação e aproximou governos, academia, instituições financeiras e sector privado, e saudou a ênfase desta edição na investigação científica e no Fórum Global da Ação Juvenil.

Finalmente, anunciou a decisão de Angola, concertada com a União Africana, de apresentar a candidatura da embaixadora angolana Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de Directora-Geral da FAO. Com experiência como Secretária-Geral da Organização Inter-Africana do Café e Comissária da UA para Agricultura entre 2017 e 2024, na sua opinião, Sacko fará um bom trabalho para África e para a segurança alimentar global, pelo que pediu o apoio de todos para a sua eleição.


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