DAS CINZAS DE SOWETO À URGÊNCIA DO “SONHO ANGOLANO”

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Celebramos hoje, 16 de Junho, o Dia da Criança Africana. Contudo, o verbo “celebrar” esconde muitas vezes a verdadeira natureza desta data: este não é um dia de festas vazias, mas sim um dia de reivindicação e memória.

Ora bem, a coragem dos estudantes em Soweto, na África do Sul, que em 1976 marcharam contra um sistema que os asfixiava, ecoa directamente em falhas estruturais com as quais ainda nos debatemos hoje. A luta deles era pelo direito de aprender com dignidade e na sua própria identidade. Hoje, os desafios mudaram de rosto, mas a privação de direitos continua.

Note que ao cruzarmos a memória histórica com a nossa realidade actual, o cenário exige de nós uma reflexão profunda e frontal. As balas do regime do Apartheid foram substituídas por formas mais silenciosas, mas igualmente letais, de violência contra as nossas crianças.

Existem batalhas diárias que as crianças angolanas e africanas enfrentam e que constituem graves violações aos seus direitos fundamentais. A saber:
1.A “Fuga à Paternidade” – O abandono paterno é uma violência psicológica e económica brutal. Uma criança que cresce rejeitada e privada de sustento básico está a ter o seu direito ao bem-estar (previsto na Carta Africana) violado logo à nascença.
2.A Falta de Saúde e Socorro – Milhares de crianças continuam a morrer de doenças tratáveis, como a malária ou a desnutrição, e sofrem com a falta de assistência neonatal a escassos quilómetros dos grandes centros urbanos, muitas vezes porque não há sequer uma ambulância disponível.
3.A Educação Excludente: Em 1976, os jovens de Soweto lutaram contra a imposição do ensino em afrikaans. Hoje, a luta de milhares de crianças é simplesmente para conseguir ter uma carteira numa sala de aula e não ter de vender na rua ou ajudar a mãe na praça devido à pobreza extrema.

Importa lembrar que as mais de 100 crianças mortas em Soweto não pode ser apenas um exercício de rectórica anual por parte das instituições oficiais. O verdadeiro reconhecimento dessa coragem passa por exigir que o Estado cumpra o seu papel.

É exatamente para dar resposta a esta asfixia social que se impõe a materialização do 3º Pilar do Partido CIDADANIA, que defende:
“A estabilização e a normalização da vida económica e social do cidadão, visando, com carácter de urgência, a eliminação da fome e da miséria e, de modo contínuo, o combate ao desemprego e à pobreza e o aumento progressivo da prosperidade dos cidadãos – O SONHO ANGOLANO.”

Não haverá proteção real para a Criança Angolana sem a estabilização económica das suas famílias. “O Sonho Angolano” não é uma utopia distante; é a exigência imediata de que o Orçamento Geral do Estado deixe de priorizar despesas supérfluas e passe a financiar ambulâncias, escolas e creches. É a urgência de criar redes de protecção social para erradicar a fome e responsabilizar legal e moralmente os pais ausentes, bem como combater a pobreza que empurra as nossas crianças para as ruas.
A criança angolana não precisa apenas de declarações de amor, balões ou discursos no dia 16 de Junho. Precisa de infraestruturas, saúde, educação de excelência e, acima de tudo, de adultos, tanto nas famílias como no Governo, que assumam as suas responsabilidades e garantam, de uma vez por todas, o seu direito a viver e a prosperar no seu próprio país.

Luanda, 16 de Junho de 2026

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E MARKETING POLÍTICO DO CIDADANIA


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