João Lourenço defende cultura de prevenção dos conflitos no continente
O Presidente da República de Angola e Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, João Manuel Gonçalves Lourenço, defendeu em Luanda a urgência de se passar de uma “cultura de reação” para uma “cultura de prevenção” dos conflitos no continente.
POR ISIDRO KANGANDJO
Ao discursar na 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da UA, o Presidente angolano afirmou que África vive um momento “convulsivo”, com a violação do Direito Internacional e disputas hegemónicas por recursos energéticos e minerais, dos quais os países africanos são grandes detentores. Segundo Lourenço, potências externas procuram fragilizar as instituições africanas e fomentar divisões para nos atingir.
O Chefe de Estado angolano sublinhou que o objetivo da Agenda 2063 de “Silenciar as Armas em África” deve ser uma prioridade permanente da UA. Sem paz, alertou, não haverá desenvolvimento sustentável, integração económica, investimento nem Estados fortes para garantir a prosperidade dos cidadãos. Defendeu por isso o reforço da Arquitetura de Paz e Segurança Africana e da Arquitetura de Governação Africana.
Com base na experiência de Angola, que viveu quase três décadas de guerra, o Presidente destacou que mesmo conflitos prolongados têm saída quando há vontade política para dialogar. Apelou ao diálogo nacional no Sudão do Sul e à implementação do Acordo Revitalizado. Sobre o Sudão, lamentou a grave crise humanitária e o risco de fragmentação, e instou países externos a deixarem de armar rebeldes e mercenários.
Quanto à RDC, João Lourenço afirmou que a insegurança no Leste transcende as fronteiras congolesas e exige esforços persistentes de mediação africana. Congratulou-se com o anúncio do diálogo intercongolês inclusivo.
Para o Sahel, apontou o terrorismo transnacional e as mudanças inconstitucionais como ameaças que exigem respostas regionais coordenadas. Sobre a Somália, defendeu o apoio ao Governo Federal e a implementação da Resolução 2719 da ONU. Em Moçambique, reconheceu progressos em Cabo Delgado, mas disse que a ameaça terrorista exige atenção contínua.

Lourenço defendeu ainda uma África mais unida para falar a uma só voz nas Nações Unidas e lutar pela reforma do Conselho de Segurança com membros permanentes africanos. Apelou ao reforço do Fundo para a Paz da UA, à operacionalização da Força Africana em Estado de Alerta e à criação de um Centro de Vigilância para monitorizar conflitos.
Concluiu afirmando estar confiante de que esta cimeira permitirá assumir compromissos firmes com a prevenção, mediação, financiamento da paz e responsabilização dos que alimentam os conflitos.
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