MARROCOS – ESPANHA: Comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Marrocos sobre os acontecimentos em Ceuta

0
IMG-20260912-WA2077
Partilhe

O Ministério das Relações Exteriores do Marrocos apresentou, em um comunicado divulgado na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, esclarecimentos sobre os desdobramentos mais recentes nas relações entre o Marrocos e a Espanha.


REDAÇÃO DO FACTOS DIÁRIOS

Nesse comunicado, o Ministério fez questão de ressaltar, primeiramente, que o Reino do Marrocos escolheu soberanamente estabelecer, com o Reino da Espanha, uma relação de boa vizinhança geográfica, entendimento político, parceria econômica e cooperação em segurança.

Essa orientação, prossegue o comunicado, concretizou-se na Declaração Conjunta de 7 de abril de 2022, firmada após o encontro entre Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, e o Presidente do Governo espanhol, Sr. Pedro Sánchez.

A referida Declaração marcou uma nova etapa nas relações, fundamentada nos princípios de respeito mútuo, confiança recíproca, diálogo permanente e na ambição de uma parceria mutuamente benéfica.


Em segundo lugar, o Ministério marroquino esclareceu que foi graças a essa abordagem que os dois países conseguiram cultivar, com determinação, aquilo que os une, e delimitar suas divergências para tratá-las com serenidade e respeito, longe de qualquer tentativa de impor fatos consumados.

Resultados tangíveis foram assim alcançados, nomeadamente nos âmbitos econômico (a Espanha é o principal parceiro econômico do Marrocos; o Reino é o segundo maior parceiro comercial da Espanha fora da União Europeia) e de cooperação em segurança (vidas foram salvas e redes terroristas e criminosas foram desmanteladas, muitas vezes ao custo de perdas humanas e materiais sofridas pelas forças marroquinas).

Em terceiro lugar, o Ministério ressaltou que a cooperação em matéria de migração sempre foi coordenada e eficiente, acrescentando que os lamentáveis ​​acontecimentos de julho de 2026 exigem um exame aprofundado para esclarecer as circunstâncias, identificar interferências, denunciar manipulações e, sobretudo, garantir que não se repitam.

Agora, longe de polêmicas ou retórica, o bom senso e a verdade exigem que se façam perguntas diretas: Por que manter as acusações contra o Marrocos, quando nenhum fato ou relatório comprova qualquer envolvimento das autoridades marroquinas? Por que os migrantes em situação irregular não são repatriados, mesmo tendo o governo marroquino se comprometido oficialmente a readmiti-los? Por que os menores desacompanhados são mantidos longe de suas famílias, quando o Marrocos solicitou o retorno deles? — questiona o Ministério, afirmando que a resposta a essas perguntas não deve ser buscada no Marrocos, mas sim junto aos atores espanhóis envolvidos.

Em quarto lugar, o Marrocos lamenta que certos setores políticos e midiáticos espanhóis persistam em instrumentalizar o Reino em prol de uma agenda interna, observando ser particularmente deplorável que partidos históricos tenham cedido à escalada populista.
Da mesma forma, é lamentável que instituições legislativas e judiciárias respeitáveis ​​incorram em iniciativas infelizes que abrem caminho para a discórdia. Tais desvios, nos quais o discernimento dá lugar ao simplismo e a análise objetiva cede espaço à acusação, integram uma estratégia do medo prejudicial a todos, lamenta o Ministério.

Em quinto lugar, acrescenta-se, o Reino do Marrocos recusa-se a servir de instrumento de campanha eleitoral e tampouco aceita ser o bode expiatório de acertos de contas políticos.

A vizinhança geográfica é uma realidade imutável. Cabe aos líderes políticos, por meio de sua coragem e visão de longo alcance, transformá-la em um trunfo para o futuro, sustenta o Ministério, concluindo que a cegueira estratégica, por sua vez, transformará esse capital em fonte de desconfiança crônica e de tensões recorrentes.


Partilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »

Você não pode copiar conteúdo desta página