Dívida Pública e Soberania Económica de Angola: Diagnóstico, Riscos e Soluções Holístico-Estratégicas

0
IMG-20260528-WA0016(1)
Partilhe

OPINIÃO

PHD MILTON SIVI JÚNIOR/Presidente Fundador da RIHST- Rasivim Institute For Holistic-Stratégic Transformatio


RESUMO EXECUTIVO

A dívida pública constitui um instrumento legítimo de financiamento do desenvolvimento quando utilizada com disciplina, transparência e visão estratégica.

Contudo, quando cresce acima da capacidade produtiva da economia, converte-se num fator de vulnerabilidade, reduzindo a soberania económica, limitando o investimento público e comprometendo as gerações futuras.

Com uma dívida pública próxima dos 72 mil milhões de dólares, dos quais mais de 50 mil milhões correspondem à dívida externa, Angola enfrenta um momento decisivo.

O desafio já não é apenas financeiro; é institucional, económico, político e civilizacional.
Este Policy Paper propõe uma abordagem baseada na Governança Holístico-Estratégica (CHE), desenvolvida pela RIHST, visando transformar a gestão da dívida num instrumento de criação de riqueza sustentável.

I. DIAGNÓSTICO ESTRATÉGICO

A análise da RIHST identifica seis problemas estruturais.

  1. Elevada dependência da dívida externa

Grande parte da dívida encontra-se denominada em moeda estrangeira, expondo Angola ao risco cambial.

  1. Forte dependência petrolífera

A capacidade de pagamento continua dependente das exportações de petróleo.

  1. Baixa diversificação económica

O país ainda importa grande parte dos bens essenciais que consome.

  1. Baixa produtividade nacional

O crescimento económico permanece insuficiente para reduzir significativamente o peso relativo da dívida.

  1. Fragilidades institucionais

Persistem limitações na transparência, monitorização e avaliação do impacto dos empréstimos públicos.

  1. Ausência de uma Estratégia Nacional Integrada de Gestão da Dívida

A gestão da dívida permanece predominantemente financeira, quando deveria ser também económica, social e estratégica.

II. PRINCIPAIS RISCOS

Caso o atual modelo permaneça inalterado, Angola poderá enfrentar:

  • aumento do serviço da dívida;
  • redução do investimento público;
  • maior vulnerabilidade cambial;
  • diminuição da classificação de risco soberano;
  • dependência crescente dos credores externos;
  • perda de margem para políticas públicas;
  • redução da soberania económica.

III. A PERSPETIVA HOLÍSTICOESTRATÉGICA (CHE)

A RIHST propõe substituir a lógica tradicional da dívida por um modelo baseado em cinco pilares.

Pilar I — DÍVIDA PRODUTIVA

Cada novo empréstimo deve gerar capacidade futura de pagamento.

Prioridades:

  • agricultura;
  • indústria transformadora;
  • energia;
  • logística;
  • economia digital;
  • educação tecnológica.

Pilar II — AUDITORIA HOLÍSTICO-ESTRATÉGICA

Todos os contratos de financiamento devem ser submetidos à metodologia MHAIT(Metodologia Holístico de Auditoria):

  • auditoria financeira;
  • auditoria jurídica;
  • auditoria ambiental;
  • auditoria social;
  • auditoria estratégica;
  • auditoria de riscos.

Pilar III — TRANSPARÊNCIA INTEGRAL

Criação do:

Portal Nacional da Dívida Pública
com divulgação de:

  • contratos;
  • credores;
  • taxas;
  • maturidades;
  • garantias;
  • execução dos projetos;
  • indicadores de desempenho.

Pilar IV — SOBERANIA ECONÓMICA

Redução gradual da dependência externa através de:

  • aumento da produção nacional;
  • substituição competitiva de importações;
  • promoção das exportações não petrolíferas;
  • fortalecimento do mercado financeiro interno.

Pilar V — GOVERNANÇA INTELIGENTE

Utilização de:

  • Inteligência Artificial;
  • Blockchain;
  • Big Data;
  • Auditoria Contínua;
  • Sistemas Inteligentes de Controlo Público.

IV. ONZE RECOMENDAÇÕES ESTRATÉGICAS.

A RIHST recomenda:

  1. Aprovação de uma Lei de Responsabilidade Fiscal reforçada.
  2. Criação do Conselho Nacional de Sustentabilidade da Dívida.
  3. Auditoria independente dos grandes contratos públicos.
  4. Publicação anual do Livro Branco da Dívida Pública.
  5. Diversificação acelerada da economia.
  6. Criação de um Fundo de Estabilização Intergeracional.
  7. Reforço da arrecadação fiscal sem aumento excessivo da carga tributária.
  8. Desenvolvimento do mercado interno de capitais.
  9. Avaliação obrigatória do retorno económico e social dos empréstimos.
  10. Integração da gestão da dívida no Sistema de Governança Holístico-Estratégica (SGHE).
  11. Auditoria Público-independente e Cidadã a Dívida Pública Global.

V. O Modelo CHE de Sustentabilidade da Dívida

A RIHST propõe que a sustentabilidade da dívida seja avaliada por cinco dimensões integradas:

A. Sustentabilidade Financeira;
B. Sustentabilidade Económica;
C. Sustentabilidade Social;
D. Sustentabilidade Institucional;
E. Sustentabilidade Intergeracional.

Uma dívida é verdadeiramente sustentável apenas quando estas cinco dimensões evoluem de forma equilibrada.

VI. Indicadores Estratégicos Propostos

A RIHST propõe a criação do Índice Nacional de Sustentabilidade da Dívida (INSD), composto por:

  • Dívida/PIB;
  • Dívida/Exportações;
  • Serviço da Dívida/Receitas Fiscais;
  • Investimento Produtivo financiado por dívida;
  • Grau de Transparência;
  • Índice de Diversificação Económica;
  • Índice de Confiança Institucional.

VII. VISÃO ANGOLA 2050

Até 2050, Angola deverá alcançar:

  • dívida sustentável;
  • economia diversificada;
  • elevada produtividade;
  • independência financeira progressiva;
  • instituições transparentes;
  • crescimento inclusivo;
  • soberania económica consolidada.

CONCLUSÃO

A dívida pública não representa, por si só, um problema.

O verdadeiro desafio reside na forma como os recursos são mobilizados, aplicados e monitorizados.

Quando orientada por critérios de produtividade, transparência e responsabilidade patriótico, a dívida pode impulsionar o desenvolvimento nacional. Quando desprovida desses princípios, tende a restringir a autonomia do Estado e o bem-estar das gerações presentes e futuras.

A RIHST defende que Angola precisa de uma nova arquitetura de governação da dívida, baseada na Governança Holístico-Estratégica, onde cada dólar ou Yuan contraído seja tratado como um investimento gerador de valor económico, social e institucional. O objetivo final deve ser fortalecer a soberania económica do país, promovendo crescimento sustentável, responsabilidade fiscal e prosperidade para todos os angolanos sem exceção.

RIHST – Rasivim Institute for Holistic-Strategic Transformation

LEMA INSTITUCIONAL:

“Transformar conhecimento em soberania, estratégia em desenvolvimento e integridade em prosperidade nacional.”


Partilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »

Você não pode copiar conteúdo desta página