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OPINIÃO

DANIEL ALCINO SASSIANGA/ Coordenador Delegado Provincial do Partido CIDADANIA, no Bengo.



No meio da festa, no meio da multidão,
havia bandeiras, discursos e animação,
mas de repente a carne virou questão,
e a fome mostrou o rosto sem pedir autorização.


Mulheres da OMA, mulheres de Angola,
numa disputa que a imagem não consola,
cada uma procurando o seu pedaço,
como quem procura esperança no cansaço.
A fome não pergunta em quem tu votaste,
não pergunta que bandeira abraçaste,
não distingue oposição nem poder,
quando a barriga dói, todos querem comer.
Hoje a carne virou testemunha,
de uma realidade que a sociedade empurra:
há fome no bairro, há fome na cidade,
há fome onde existe pobreza e desigualdade.
Não é apenas o militante da oposição,
que sente a dor da falta de alimentação;
também há quem esteja no partido no poder,
mas que, dentro de casa, não sabe o que vai comer.


A fome não tem cartão partidário,
não conhece discurso nem calendário,
não respeita cargo, uniforme ou posição,
quando chega, aperta qualquer coração.
E aquela cena, verdadeira ou interpretada,
deve servir para uma reflexão necessária:
quando o povo disputa um pedaço de carne,
talvez seja hora de perguntar por que a mesa não chega para todos.


Angola tem petróleo, diamante e riqueza,
mas a pobreza continua mostrando sua dureza.


Se há riqueza debaixo do nosso chão,
por que ainda há fome sobre a nossa nação?
Não quero rir da mulher que procura alimento,
quero compreender o seu sofrimento.
Porque amanhã pode ser qualquer cidadão,
vítima da pobreza, da fome e da exclusão.
A fome não é MPLA,
a fome não é UNITA,
a fome não é CIDADANIA,
a fome é uma ferida social
que precisa de resposta e cidadania.
Que ninguém transforme a fome em vergonha,
nem a necessidade em motivo de zombaria.
O verdadeiro desafio de Angola
é construir uma sociedade onde a dignidade
não dependa de quem tem ou não tem comida na mesa.


Quando a carne vira disputa,
a consciência deve despertar.


Porque um povo com fome
não precisa apenas de discursos!
precisa de dignidade, trabalho e pão para colocar na mesa.


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