“NÃO ESTOU DE ACORDO”: Luís de Castro lamenta abandono de antigos combatentes e crítica enriquecimento de dirigentes
O Presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, manifestou-se este domingo, nas suas redes sociais, contra o que classifica como “abandono” de oficiais generais, comissários e nacionalistas que lutaram pela liberdade e independência de Angola.
POR ISIDRO KANGANDJO
Numa declaração pública, o político criticou as reformas baixas atribuídas a quem serviu o Estado durante décadas e, em contrapartida, apontou para o enriquecimento de jovens dirigentes do Executivo.
Luís de Castro lamentou a situação de “quase completa mendicidade” em que vivem muitos antigos combatentes.
“Não estou de acordo que oficiais generais, oficiais comissários e homens e mulheres que dedicaram décadas ao serviço da Nação sejam entregues à sua própria sorte, vivendo numa situação de quase completa mendicidade, com reformas que, em muitos casos, não chegam sequer para garantir uma vida minimamente digna”, afirmou.
Para o líder do PL, as pensões atuais não cobrem sequer despesas básicas de saúde e sustento.
CRÍTICA AO ENRIQUECIMENTO NO EXECUTIVO
O Presidente do Partido Liberal traçou um paralelo com membros do Executivo.
“Não estou de acordo que jovens como nós, que assumiram responsabilidades no Executivo, possam terminar o segundo mandato, no próximo ano, milionários à custa do erário público, enquanto oficiais generais, comissários e até nacionalistas que deram a sua juventude e a sua vida à construção de Angola continuam sem uma reforma capaz de lhes garantir dignidade”, declarou.
Para Luís de Castro, o problema vai além do financeiro. É, segundo ele, uma questão de ética e de valores.
“Isto não é apenas uma questão financeira. É uma questão de justiça, de ética e de respeito por quem serviu o Estado. Um país que recompensa o enriquecimento ilícito e abandona aqueles que o serviram está a inverter completamente a sua escala de valores”, disse.
O político defendeu que “o mérito deve ser reconhecido, o serviço à Pátria deve ser dignificado e os recursos públicos devem ser administrados com responsabilidade e transparência”.
“Não queremos privilégios para ninguém. Queremos justiça para todos. Angola deve ser um país onde quem serve a Nação com honra não termine a sua vida na pobreza, enquanto aqueles que administram o Estado terminam os seus mandatos milionários. Esta é também uma questão de dignidade nacional”, concluiu.