O Simpósio Internacional “A Horda Dourada como Modelo de Civilização da Estepe”

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Realizou-se em Astana, nos dias 19 e 20 de maio de 2026, com a participação do Presidente Kassym-Jomart Tokayev, o simpósio internacional “A Horda Dourada como Modelo de Civilização da Estepe: História, Arqueologia, Cultura e Identidade”.


REDAÇÃO DO FACTOS DIÁRIOS

O evento reuniu mais de 350 delegados, incluindo representantes de organizações internacionais, destacados historiadores estrangeiros e cazaques, arqueólogos, investigadores e académicos especializados na história da Grande Estepe e da Horda Dourada.

O simpósio centrou-se no legado histórico, político, económico e cultural da Horda Dourada e no seu papel no desenvolvimento da civilização eurasiática. Nas suas observações, o Presidente Tokayev enfatizou a importância de uma investigação histórica objetiva e despolitizada, a relevância civilizacional da Horda Dourada e a necessidade de reforçar a cooperação académica internacional no estudo do património comum da Grande Estepe.

O Presidente destacou igualmente os esforços contínuos do Cazaquistão para preservar, modernizar e promover o legado histórico e intelectual do Ulus de Jochi através da investigação, educação, iniciativas digitais e envolvimento cultural internacional.

PRINCIPAIS PONTOS DAS OBSERVAÇÕES DO PRESIDENTE KASSYM-JOMART TOKAYEV

A Horda Dourada foi uma das maiores entidades políticas do seu tempo, governando vastos territórios da Eurásia e ligando o Oriente ao Ocidente. Desempenhou um papel determinante na formação de civilizações, de Estados e no desenvolvimento histórico da Grande Estepe.

A história da Horda Dourada continua altamente relevante na atualidade e constitui uma parte importante tanto da história nacional do Cazaquistão como da história universal. A sua crónica deve ser vista como património comum da humanidade e não como um legado exclusivo de qualquer nação.
A Horda Dourada como Fenómeno Civilizacional

A era da Horda Dourada representou não apenas poder militar, mas também desenvolvimento institucional, governação, diplomacia e evolução civilizacional. A história da Grande Estepe foi frequentemente reduzida a narrativas de guerra, negligenciando as suas contribuições políticas, culturais e intelectuais.

A investigação interdisciplinar moderna proporciona novas oportunidades para uma compreensão mais objetiva e abrangente do legado da Horda Dourada.

O estudo da história partilhada deve servir como fator de união entre povos e Estados, particularmente num período de incerteza e fragmentação global.

OBJETIVIDADE HISTÓRICA E RESPONSABILIDADE ACADÉMICA

A avaliação histórica deve permanecer objetiva, equilibrada e politicamente neutra. A história da Horda Dourada não deve ser simplificada em interpretações limitadas ou unidimensionais que distorçam a realidade histórica.

O Cazaquistão está a reavaliar estereótipos ultrapassados que retratavam as civilizações nómadas e impérios da estepe como desprovidos de Estado ou significado histórico.

Tentativas de monopolizar interpretações históricas ou transformar património partilhado num fenómeno exclusivamente nacional prejudicam a investigação e a confiança internacional.

Académicos e historiadores podem servir de ponte entre sociedades e culturas, promovendo diálogo e entendimento mútuo em períodos de tensão geopolítica.

GOVERNANÇA E FORMAÇÃO DO ESTADO

A força da Horda Dourada assentava não apenas na dimensão territorial, mas também numa governação eficaz e resiliência institucional. O império desenvolveu sistemas jurídicos, administrativos e diplomáticos avançados que asseguraram estabilidade num território vasto e diverso.

Meritocracia, disciplina, justiça e coexistência entre diferentes comunidades étnicas e religiosas foram apresentadas como características importantes do Estado. A Horda Dourada manteve extensas relações diplomáticas com grandes potências da Eurásia e influenciou o desenvolvimento de Estados eurasiáticos posteriores.


Desenvolvimento Económico e Comercial
A Grande Estepe desenvolveu um modelo civilizacional distinto baseado na mobilidade, comércio e interação entre sociedades nómadas e urbanas.


A Horda Dourada controlava importantes rotas comerciais eurasiáticas e transformou a estepe num corredor de trânsito seguro entre Oriente e Ocidente.

O império estabeleceu sistemas monetários e comerciais avançados, incluindo uma ampla produção de moeda e centros comerciais florescentes. A interação entre tradições da estepe e civilização urbana foi descrita como um fator central para a prosperidade e adaptabilidade da Horda Dourada.

COOPERAÇÃO ACADÉMICA INTERNACIONAL E PARCERIA COM A UNESCO

O simpósio visa reforçar a cooperação com a comunidade académica internacional para um estudo sistemático e multifacetado da Horda Dourada. A organização do evento sob o patrocínio da UNESCO reflete a relevância global do legado histórico da Horda Dourada.

O Cazaquistão valoriza altamente a parceria com a UNESCO na preservação e promoção do património cultural tangível e intangível. O país destacou o reconhecimento internacional do manuscrito “Genealogia dos Cãs”, que contém registos históricos relacionados com o período da Horda Dourada.

O simpósio reuniu académicos de vários países, refletindo o crescente interesse internacional pela história da Grande Estepe e da Horda Dourada.

COOPERAÇÃO REGIONAL E CONECTIVIDADE EURASIÁTICA

As tradições da governação da estepe foram apresentadas como assentes na abertura, justiça e diálogo intercultural. O Cazaquistão reafirma o seu apoio ao fortalecimento da cooperação entre países túrquicos e à interação eurasiática mais ampla.

A história deve servir como ponte entre povos, e não como instrumento de divisão ou confronto geopolítico. O legado da Horda Dourada foi descrito como exemplo de coexistência entre culturas e sociedades dentro de um espaço político e civilizacional comum.

RELEVÂNCIA MODERNA

O estudo da Horda Dourada deve ultrapassar interpretações exclusivamente militares e focar-se no seu legado civilizacional mais amplo. As suas tradições intelectuais, instituições, diplomacia e sistemas económicos continuam relevantes para compreender as origens do Estado e da identidade na Eurásia Central.

LEGADO INTELECTUAL E CULTURAL

Pensadores como Abu Nasr al-Farabi e Khoja Ahmed Yasawi estabeleceram importantes fundamentos filosóficos e espirituais para o mundo turco-muçulmano. O período da Horda Dourada contribuiu para uma “idade de ouro” da literatura, música e poesia épica túrquica que continua a influenciar a cultura regional até hoje.

TRADIÇÃO, INOVAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

O Cazaquistão enfatiza a importância de combinar património histórico com inovação, educação, ciência e tecnologias avançadas. O país está a investir ativamente em inteligência artificial, infraestrutura digital, corredores de transporte e centros de armazenamento de dados como parte de uma agenda mais ampla de modernização.

O Cazaquistão acolherá uma Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial sob os auspícios da UNESCO, envolvendo participantes de 100 países.

O conceito de “nómadas digitais” foi referido como reflexo moderno da mobilidade histórica e dinamismo da civilização da estepe.

INVESTIGAÇÃO, EDUCAÇÃO E INICIATIVAS INTERNACIONAIS

O Cazaquistão criou o Instituto para o Estudo do Ulus de Jochi como a primeira instituição académica especializada dedicada à Horda Dourada. Foi apresentada uma proposta para criar um Centro Internacional de Promoção da Civilização da Estepe.

Houve igualmente um apelo ao reforço da cooperação académica internacional e a grandes projetos editoriais envolvendo especialistas estrangeiros sobre a Horda Dourada. Espera-se que o simpósio se torne uma plataforma internacional regular para diálogo académico e cooperação científica.

CONTINUIDADE HISTÓRICA E IDENTIDADE NACIONAL

O Cazaquistão considera-se um herdeiro direto das tradições estatais da Horda Dourada e da Grande Estepe. A preservação da continuidade histórica e do património cultural foi apresentada como essencial para a renovação nacional e desenvolvimento futuro.

O conceito de “Mangilik El” (“Nação Eterna”) foi destacado como uma ideia central de construção do Estado herdada da era da Horda Dourada. O Cazaquistão está a modernizar e promover este legado através de investigação académica, iniciativas culturais, publicações, filmes, exposições e monumentos.


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