RENOVA Angola reage ao discurso sobre o Estado da Nação: “A Nação precisa de resultados que cheguem à mesa das famílias”
O partido RENOVA Angola reagiu esta quinta-feira, 16 de Outubro, ao discurso sobre o Estado da Nação proferido pelo Presidente da República, João Lourenço, na abertura da última sessão legislativa da actual legislatura.
POR ISIDRO KANGANDJO
Em comunicado de 8 pontos, a formação política reconhece a importância constitucional do pronunciamento como momento de prestação de contas, mas considera que o discurso ficou aquém de responder às preocupações concretas dos cidadãos.
“A Nação precisa de resultados que cheguem à mesa das famílias, ao bolso dos trabalhadores e ao futuro da juventude”, lê-se no documento.
No primeiro ponto, sobre o crescimento económico, o RENOVA Angola afirma que os indicadores de expansão do sector não petrolífero apresentados pelo Titular do Executivo devem ser confrontados com o bem-estar real. “O crescimento só ganha significado quando se transforma em mais emprego, melhores salários e maior poder de compra”, defende.
Sobre o custo de vida, o partido considera que a alimentação, o transporte, a saúde e a habitação continuam a absorver grande parte dos rendimentos. Exige medidas concretas, calendarizadas e verificáveis para aumentar o poder de compra, estimular a produção nacional e reduzir o custo dos bens essenciais.
No capítulo do desemprego juvenil, critica a falta de metas claras. “A juventude não precisa apenas de promessas de formação. Precisa de oportunidades reais de inserção profissional, acesso ao financiamento e apoio ao empreendedorismo”, sublinha.
Quanto à diversificação económica, o RENOVA reconhece o esforço para reduzir a dependência do petróleo, mas alerta que a transformação deve sair do papel. Defende políticas coerentes para agricultura, indústria, pescas e turismo, e uma fiscalidade “mais justa, previsível e favorável à produção”, criticando os obstáculos e os custos elevados que as micro, pequenas e médias empresas enfrentam.
No combate à corrupção, o partido considera que a luta deve assentar na transparência e na igualdade perante a lei, exigindo informação pública sobre os valores recuperados e a sua aplicação em benefício da população.
Na saúde e educação, para além da construção de infra-estruturas, exige qualidade. O partido cita mesmo o caso recente de um cidadão que terá sido submetido à amputação do membro superior quando a intervenção seria no membro inferior, ficando sem ambos, para alertar para falhas graves nos mecanismos de segurança dos pacientes.
Sobre reconciliação nacional e democracia, a poucos meses das eleições gerais de 2027, o RENOVA defende um ambiente político de confiança, respeito pelo pluralismo e sem repressão, garantindo participação cívica livre.
Por fim, ao fazer o balanço do ciclo de governação iniciado em 2017, reconhece o impacto da COVID-19 e da crise petrolífera, mas afirma que é preciso examinar as escolhas internas, as metas não cumpridas e os desafios persistentes como desemprego, fome e pobreza extrema.
“O Estado da Nação não deve ser medido apenas pelo que o Governo anuncia, mas pelo que o cidadão efectivamente vive”, conclui o partido.