7 trabalhadores com mais de 20 anos são afastados no Porto do Lobito após concessão à AGL
O afastamento de 7 trabalhadores com mais de 20 anos de serviço ao Porto do Lobito, pouco tempo depois da transferência para a concessionária Africa Global Logistics – AGL, gera indignação entre funcionários e cidadãos, numa altura em que o Conselho de Administração do Porto promove o Corredor do Lobito como um dos maiores projectos de desenvolvimento económico de Angola e de África.
REDAÇÃO DO FACTOS DIÁRIOS
Segundo denúncias dos próprios trabalhadores, os afastamentos baseiam-se em alegações de sabotagem e outras infracções disciplinares, cuja legalidade e garantias processuais são fortemente questionadas.
“Como é possível trabalhadores que dedicaram duas ou três décadas da sua vida ao Porto do Lobito, sem historial disciplinar que justificasse tais medidas, passarem a ser considerados um problema apenas após a transferência para a AGL?”, questionam as fontes ouvidas.
Outro ponto de tensão é a posição do Porto do Lobito. Enquanto concedente e entidade com dever de fiscalização da execução da concessão, a instituição afirma não ter responsabilidade sobre os despedimentos. Para os denunciantes, existe um contra-senso: o Porto promove o Corredor como exemplo de sucesso, mas demite-se do acompanhamento das questões laborais.

Desde 2025 já eram públicas reivindicações de trabalhadores da concessionária sobre condições de trabalho e cumprimento de compromissos assumidos na transferência, o que reforça as preocupações com o impacto social do processo.
Perante o cenário, é feito um apelo à Inspecção Geral do Trabalho para averiguar a legalidade dos processos disciplinares; ao Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social para garantir o cumprimento da Lei Geral do Trabalho; à Procuradoria-Geral da República, caso existam indícios de violação da lei; e à Assembleia Nacional e sociedade civil para acompanharem o caso, que afecta dezenas de famílias.
Defensores dos trabalhadores alertam que o Corredor do Lobito só será sustentável se respeitar a dignidade humana e o Estado de Direito. “O progresso mede-se não apenas pelas toneladas de carga movimentadas, mas também pelo respeito pelos direitos daqueles que ajudaram a construir a história do Porto do Lobito”.
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