Angola regista queda de gravidez na adoslescência de 43,5% para 27,1% na última década

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A prevalência da gravidez na adolescência em Angola diminuiu de 34,5% para 27,1% ao longo de uma década, mas os níveis permanecem elevados, sobretudo nas zonas rurais e entre adolescentes sem escolaridade, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


REDAÇÃO DO FACTOS DIÁRIOS


Os números constam do Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola, apresentado terça-feira, em Luanda, com base nos resultados dos Inquéritos de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) de 2015-2016 e 2023-2024.


De acordo com o estudo, a prevalência da gravidez entre raparigas dos 15 aos 19 anos registou uma redução de 21,5% no período analisado, passando de 34,5% para 27,1%.
Apesar da evolução, Angola continua acima da média estimada para a África Subsaariana, situada em 18%. O país apresenta, contudo, uma prevalência inferior à registada em Moçambique, estimada em 36%, e na Zâmbia, com 28%.


Em sentido contrário, os valores angolanos permanecem acima dos observados na Tanzânia (23,4%), Camarões (23%) e Gabão (22,9%).


DIFERENÇAS ENTRE PROVÍNCIAS


A evolução registada no país esconde diferenças significativas entre as províncias. Malanje apresentou uma redução de 24,4 pontos percentuais, seguida da Lunda Sul, com menos 23,2 pontos, da Huíla, com menos 19,7 pontos, e do Cunene, com uma diminuição de 14,6 pontos percentuais.


Luanda manteve a prevalência mais baixa entre as províncias analisadas, passando de 21,2% no IIMS 2015-2016 para 13,9% no inquérito de 2023-2024.


Segundo o INE, este resultado poderá estar relacionado com um maior acesso aos serviços de saúde e à educação.


Apesar dos progressos registados noutros pontos do território, algumas províncias continuam a apresentar níveis elevados. No Cuanza Sul, a prevalência atingiu 51,4%, enquanto no Cuando-Cubango chegou a 44% e no Cuanza Norte a 41,3%.


O Bengo foi a única província destacada pelo estudo por ter registado um aumento, de 2,7 pontos percentuais, no período considerado.
Fecundidade também recua.


A taxa de fecundidade entre adolescentes também apresentou uma redução significativa. O indicador passou de 163 nascimentos por cada mil adolescentes no IIMS 2015-2016 para 122 por mil no IIMS 2023-2024, representando uma diminuição de 25,2%.


A redução foi mais acentuada nas áreas urbanas, onde atingiu 33,3%, enquanto nas zonas rurais ficou pelos 18,4%.


Apesar da diminuição, as áreas rurais continuam a apresentar níveis elevados, com uma taxa de fecundidade de 195 nascimentos por mil adolescentes em 2023-2024.
Nos dois inquéritos foram abrangidas 3.444 e 3.874 adolescentes, respectivamente, sendo que cerca de sete em cada dez viviam em áreas urbanas.


ESCOLARIDADE E ACESSO À INFORMAÇÃO


O relatório associa os progressos registados na última década, entre outros factores, ao aumento da escolarização feminina, ao adiamento do casamento e ao maior acesso à informação sobre saúde sexual e reprodutiva.
Ainda assim, o INE salienta que a prevalência continua mais elevada nas zonas rurais e entre adolescentes sem qualquer nível de escolaridade.


O estudo recomenda, por isso, a adopção de estratégias diferenciadas, tendo em conta as especificidades de cada região, com o objectivo de acelerar a redução da gravidez na adolescência e diminuir as desigualdades existentes.


Entre as medidas apontadas estão o reforço da permanência das raparigas na escola, a prevenção do casamento precoce, a expansão dos serviços de saúde sexual e reprodutiva adaptados aos adolescentes e o combate a normas sociais consideradas prejudiciais.
O relatório foi elaborado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).


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